VERRUGAS GENITAIS

Falando com umas amigas sobre o vírus HPV ou VPH  e das verrugas genitais, surgiu a ideia deste post e desta partilha. Na nossa conversas éramos unânimes no desconforto que causa a constante e por vezes única forma de tratamento ser a científica que nos impõe a medicina convencional. Na nossa conversa fomos trocando saberes… tratamentos, plantas… antibióticos naturais para fortalecer o nosso sistema imunitário e fazer frente as doenças e infecções. Por experiência própria sabemos que os tratamentos por vezes são longos mas com elevado sucesso e que acima de tudo estas plantas que ajudam a limpar o nosso corpo e a reequilibra-lo diminuem a probabilidade de uma nova infecção.

Verrugas genitais
Estas verrugas são comummente chamadas de verrugas venéreas e não têm de as contrair necessariamente através de contacto sexual. É verdade que podem desaparecer por si mesmas mas é recomendado tratamento, principalmente nas mulheres, porque pode levar a lesões cancerosas. Normalmente o seu aparecimento tem uma relação íntima com um défice vitamínico ou nutricional. Têm por habito aparecer durante a gravidez ou associadas a infecções vaginais e têm a tendência a desaparece com o tempo. As verrugas da área genital podem ter o aspecto de uma verruga comum e em outras situações aparecem com uma forma de cresta de galo com as pontas brancas e podem crescer interna ou externamente, na área vaginal ou anal.

O que devemos fazer?
A medicina convencional trata estas verrugas com cremes tóxicos e outros tratamentos agressivos (cirurgia, ácidos, queima, eletroterapia, etc) . A ideia deste post é partilhar convosco alguns tratamentos caseiros como alternativa ou complemento.

Durante algumas semanas é aconselhável, reforçar o nosso sistema imunitários com raiz de equinácea (3 semanas) e raiz Hydrastis canadensis (1 semana), podem tomar estas raízes em infusão ou em forma de tintura e repetir o tratamento sempre que necessário, fazendo sempre uma pausa de três semanas de mês a mês. Tenham em consideração que as tinturas são mais eficazes em tratamentos longos.

Um tratamento natural e bastante eficaz é esfregar um dente de alho na zona. Podem corta-lo ao meio e coloca-lo directamente sobre a verruga, sempre que sejam acessíveis. Devem esfregar a zona umas 2 ou 3 vezes por dia durante uns 2 meses para obter uns resultados positivos. Se as verrugas estiverem no interior da vagina ou no cérvix podem lavar-se com dentes de alhos. Também podem fazer uma PASTA PARA VERRUGAS E HERPES: Descasquem e piquem 4 dentes de alho. Esmaguem no almofariz com 2 a 3 colheres de sopa de vinagre. Preparem a pasta diariamente para que seja sempre fresca e apliquem nas verrugas ou herpes. Retirem passado quinze minutos.

Para limpar os nossos genitais podemos fazer uma infusão para lavar a área a ser tratada. O banho pode ser parcial ou de corpo inteiro. A temperatura da água deve ser em torno de 35 graus. 

Lavagem: Dissolva carbonato de sódio (bicarbonato de sódio) em água até formar uma solução. Mergulhe a verruga nesta solução por 2 minutos, 4 vezes por dia, e deixe secar ao ar livre.

Infusão de limpeza com flores e folhas (para ingerir): Mil em Rama, de nome científico Achillea millefolium L., folhas de framboesa (um mão-cheia de cada plantas) e raiz fresca de gengibre (raspar ons 3 – 5 cm) em 6 chávenas de água. 3 chávenas por dia durante umas 6 semanas, fazer uma pausa de 3 semanas e voltar a fazer mais 6 semanas. Podem repetir este ciclo quantas vezes quanto considerem necessário.  

Existem muitos outros tratamentos naturais, basta fazer uma pequena pesquisa e intuírem qual é o melhor tratamento para cada uma de vocês. 

Porque é que a vida choca?

Já estamos fartas de ler e ouvir noticias sobre fotos de nascimentos e de amamentação censuradas um pouco por todo lado, como foi o caso do fotógrafa Victoria Berekmeri.

Porque acham que existe esta censura? Este pudor? Esta repugnância? Este esconder de algo tão natural como o parir ("parir", palavra também muitas vezes renegada).




A minha primeira menstruação.... e a da Johanna

Johanna é muppet de crankytown.ca e neste vídeo conta-nos como foi a sua primeira menstruação, como foi a reacção da sua mãe e como a desagradou... Este vídeo fez-nos pensar que como mães/mulheres adultas por vezes não paramos para pensar no que realmente as nossas filhas/meninas querem e nem sequer perguntamos, assumimos que elas desejam o que nós desejamos. Por vezes o melhor ritual de menarca é perguntar as nossas pequenas como o querem celebrar. O que acham? 

Talvez também vocês se lembrem de alguma reacção de alguma mulher adulta que vos acompanhou durante a vossa primeira menstruação, querem partilhar? 



Honrando a minha Lua… Curo-Entrego-Desperto

Mulheres belas… assim este post torna-se um desafio, porque é importante que as mulheres contem as suas histórias umas as outras…

HONRANDO A NOSSA LUA…
As nossas emoções feitas Palavra vão recolhendo os nossos Relatos da Menarca, belos escritos femininos sobre a nossa 1ª menstruação… a sua sublime conexão com a mãe terra e com o universo convida-nos a honra-lo com actos concretos que nutrem a nossa força de mulher e nos conectam com os valores de amor e sororidade.

Como foi a tua primeira Lua?  

Que não falem por ti...

"Quando as mulheres ignoram os seus processos corporais, ou ainda pior, os reconhecem como um  

problema que tem a sua solução no consumismo, a opressão interiorizada agarra as rédeas... Quando as 

mulheres participam do silêncio ao redor da menstruação permitem que outros falem por elas." 



Cris Bobel, New Blood: Third-Wave Feminism and the Politics of Menstruation

Quando me reconheço assumo-me
Quando me assumo compreendo-me
Quando me compreendo recupero a fé (em mim)
e tenho forças para me fazer frente

Gestar na menopausa...


"Os ensinamentos ancestrais dizem-nos que durante os anos de Mulher Sábia já não soltamos óvulos físicos, mas soltamos óvulos de espírito e que estes óvulos levam os sonhos e as visões dos seres humanos. As mulheres mais velhas podem nutrir e gestar os sonhos do mundo. Podemos estar “prenhas” de visão e dar a luz um futuro consciente.”

Texto: 'Sisters in Circles'

Energia 'kundalini' na mulher




Fiquei fascinada quando vi este desenho... o movimento da energia 'kundalini' na mulher: antes da puberdade, durante os anos férteis e depois da menopausa. Faz pensar!!!!!! 


Desenho foi extraído do livro "New Menopausal Years" de Susun Weed, do capitulo: Menopause is Enlightenment. 

Lealdade Feminina

Apesar de na nossa opinião alterar uma ou outra palavra, um ou outro sentir... talvez porque já se passou algum tempo desde que foi escrito, não podemos deixar de partilhar o Manifesto de Lealdade Feminina da Nana Odara. 


«A Lealdade Feminina é um sintoma da mudança da sociedade rumo a um novo modelo social. Algumas mulheres já se estão a conectar. As mulheres tem o Dom da Vida e essa essência feminina que nos irmana é a chave para profundas mudanças no modelo social.
A Lealdade Feminina é transversal. Não podemos esperar que todas as mulheres pensem como nós. Mas a essência feminina que nos une já existe e é preciso ‘religar’ essa energia para que ela flua de forma permanente, formando uma rede de Luz…»

Os 10 Passos para a Construção da Lealdade Feminina são:

1- FEMINILIDADE
Resgatar o feminino essencial e o sagrado… Encontrar a harmonia e o equilíbrio interior, reconhecendo o nosso Feminino ancestral, e eliminar a mulher inventada pelo patriarcado.

2 – ADMIRAÇÃO
Admirar e elogiar as outras mulheres, valorizar a Mulher… Não somos mais rivais, somos todas IGUAIS em essência feminina… Somos a imagem no espelho, reflectida em todas as outras mulheres.

3- TOLERÂNCIA
Mesmo contraditórias, dissonantes ou discordantes, temos de relevar as nossas diferenças e nos unir… Valorizar essa essência feminina como factor de Igualdade, e nos irmanar.

4 – SOLIDARIEDADE
Ser solidárias às outras mulheres, na nossa família, na nossa comunidade, bem como a todas as mulheres do mundo, além fronteiras. Deixar de ser a base de sustentação do machismo patriarcal.

5- INDEPENDÊNCIA EMOCIONAL
Caminhar e evoluir em direcção à uma maturidade emocional, superando preconceitos patriarcais e crenças absurdas que foram construídas para nos aprisionar e nos manter submissas ao sistema patriarcal.

6- INDEPENDÊNCIA FINANCEIRA
Não aceitar situações degradantes e humilhantes por dependência financeira. Buscar o seu próprio sustento e também a realização profissional, como elemento de base para a auto-valorização e auto-estima.

7- DISCERNIMENTO
Compreender e discernir os mecanismos de manipulação dos relacionamentos. Escolher relacionamentos saudáveis e abrir mão dos recursos ‘excusos’ das mulheres patriarcais, como chantagens e jogos de sedução. Sair dessa programação e ser inteira, yin e yang.

8- DEDICAÇÃO
Dedicar uma parte sagrada do teu tempo em teu próprio desenvolvimento pessoal. Descobrir o Dom de cada uma, e realizar a Missão, que é usar o dom para ajudar a construir um novo modelo social, e ajudar a cuidar da Deusa Gaia…

9- COERÊNCIA
Ter uma atitude coerente no dia-a-dia… Procurar uma sintonia entre o pensamento, o discurso e a acção, e caminhar nessa direcção… Buscar a harmonia, e uma consciencialização profunda… Ser a mudança que deseja no mundo…

10- NOVAS PRÁTICAS
Apenas uma relação de ideias e textos, iniciativas e modelos de participação social… Buscar com a nossa prática concretizar o desejo de um novo modelo social, conhecendo as diferentes alternativas existentes e ajudando a criar novas maneiras de ser e estar…e cuidar de Gaia…

MLF by Nana Odara

lealdadefeminina.blogspot.com

A pílula e os nossos ciclos



Libertamos as mulheres libertando-as da tirania das suas hormonas naturais ou pelo contrário, atacar os ciclos hormonais do seu corpo, através da inibição dos seus ciclos naturais equivale a atacar as mulheres?

Este post nasceu das partilhas feitas pelas mulheres nos atelier e círculos que dinamizo, muitas vezes nas nossas conversas circulares e vermelhas surge a pílula como tema de conversa e varias foram as vezes em que varias mulheres expressaram o desejo de deixar de tomar a pílula porque intuem que não esta a ser bom para elas mas que tem alguns receios e dúvidas, e se perguntam se é assim tão mau usar e qual é minha opinião, e a de outras mulheres... se devem continuar ou parar. Depois do primeiro encontro das Conversas Feminitude, no qual o tema foi Os Ciclos e a Pílula Contraceptiva, decidi escrever este post para nos ajudar no caminho de RE-conexão com o nosso corpo de mulher. 

Normalmente exprimo a minha opinião sobre este tema da mesma maneira:
Se uma mulher toma a pílula de forma consciente, depois de uma investigação onde considerou as opções que tinha, então tudo esta perfeito. Eu não estou completamente convencida de que os benefícios compensem os riscos potenciais para a saúde, mas muitas mulheres estão convencidas – e por vezes é o que está “certo” para elas e para a situação em que estão nas suas vidas.

Quando menciono que é necessário uma investigação prévia ao uso da pílula ou de outro método contraceptivo hormonal (anel vaginal, adesivos…), refiro-me a saber qual o verdadeiro mecanismo de acção da pílula no nosso corpo a médio e longo prazo? Qual os efeitos da pílula na nossa fertilidade? Assim como na fertilidade do meio ambiente? Entre outras muitas questões. 

Eu questionei estas e outras perguntas, pela primeira vez, quando tinha 15 anos, no momento em que comecei a sentir dor no peito (mastalgia), dor que para mim estava, quase sempre, associada a uma ou duas fases do meu ciclo menstrual. Fui a minha médica de família e ela disse-me que era normal, que quando começamos a ser menstruadas podíamos sentir esse tipo de dores e que o melhor era tomar a pílula. Não me deu muitas mais explicações mas “vendeu-me” a pílula como a melhor e quase a única alternativa para o meu problema. Mas curiosamente, eu não “comprei o peixe”, ela até me tinha dado uma embalagem para começar a tomar mas não tomei. Lembro-me de dizer a minha mãe que queria ir ao Planeamento Familiar para Jovens, queria saber mais. Não sabia exactamente o que esse mais queria dizer mas lá fui eu marcar a consulta. Quando entrei no consultório estava um médico com quase 70 anos, talvez tivesse algo menos mas na altura foi o que me pareceu, e ele disse-me que estava reformado e trabalhava lá como voluntário, por isso é bem possível que ronda-se essa idade, comentou-me que achava que era muito importante a educação sexual das novas gerações. Eu gostei do discurso dele mas na minha cabeça rondava uma única ideia: O que é que um homem pode saber das minhas mamas e do meu ciclo menstrual? Ele não tem!

Quando comecei a contar-lhe o que me levava lá, descobri que o médico era surdo que nem uma porta, por isso foi toda uma odisseia explicar-lhe as minhas razões para ter ido a consulta e que já tinha ido a minha médica de família e que ela me tinha aconselhado a pílula mas que eu não estava convencida. Quando lhe disse que queria saber mais, ele sorriu e perguntou-me: Mas queres saber mais o quê?
Quero saber porque me doem os peitos? O que significa essa dor? respondi-lhe eu sempre na defensiva.
Ele voltou a sorrir e levantou-se, pediu-me para tirar a camisola e descer um pouco a cinta das calças, e começou a beliscar-me levemente primeiro num braço depois na parte entre a mama e a axila e depois mais perto da mama, sobre o ventre e junto a zona do ovário, quando terminou a sessão de beliscões perguntou-me: Onde te doeu mais?
A resposta foi imediata e desconfiada, não sabia o que aquilo queria dizer, para que eram aqueles beliscões: Junto a mama e no ventre, respondi.
Ele voltou a sorrir e explicou-me que o nosso corpo tem sensores e que os sensores do meu corpo de mulher estão principalmente situados no meu útero, nos ovários e nos seios e que quando as coisas não estão bem na nossa vida, esses sensores normalmente apitam. E que era bem possível que os meus seios me estivesse a querer dizer alguma coisa (eu sabia! pensei eu enquanto ele falava). Perguntou-me se eu andava triste, preocupada com algo ou alguém, se tinha problemas em casa ou na escola, perguntou-me pela minha alimentação e pelo meu descanso. E depois de uma longa conversa sobre a minha vida e sobre as minhas emoções compreendi que a pílula não ia resolver nada porque a causa da dor nos seios estava intimamente relacionada com a minha situação familiar que atravessava momentos delicados e sombrios. Sem me aperceber aquele médico, surdo que nem uma porta, através dos seus estranhos beliscões ensinou-me que os seios são a metáfora do dar e receber e que a emoção em si não é a causa do problema, é a incapacidade de exprimir totalmente a emoção, liberá-la e reagir à situação de forma saudável e de adaptação. Lembro-me que a determinada altura da nossa conversa eu estava a chorar e a tentar parar o choro, e ele rapidamente disse: Chorar ajuda a libertar, e muitas vezes ajuda a aliviar dores físicas, chora o que for preciso, aceita a situação e rende-te a algo maior do que tu.

Depois voltamos a questão de tomar ou não tomar a pílula, e tornou a fazer uma lista de perguntas, se tinha doenças, se tomava medicação, se fumava, se consumia drogas, se já tinha iniciado a minha vida sexual com um parceiro… e quase todas as minhas respostas foram, não. E ao contrario da minha médica falou-me dos contras de tomar a pílula, principalmente sendo tão jovem, nesta etapa da conversa eu já tinha praticamente decidido não tomar e ao ouvir as contra-indicações percebi que não ia tomar mesmo, não era o que precisava naquele momento. Tinha percebido que grande parte dos sinais (que muitos chamam sintomas) do meu corpo são de natureza psicossomática e que o melhor para mim naquele momento era descansar quando o meu corpo pedia e deitar para fora todas as emoções retidas. Alguns meses depois procurei uma psicoterapeuta.
Antes de me despedir do médico ele aconselhou-me a ir a maternidade as consultas do Espaço Jovem, e marcar uma com uma ginecologista: Lá são todas médicas, (disse-me a sorrir e eu compreendi que ele tinha percebido o meu desconforto inicial por ele ser homem) e assim podes ser acompanhada e ter respostas as questões que te vão surgir pelo caminho, assim fiz.

Cinco anos depois decidi tomar a pílula, estava obcecada com a gravidez não desejada e achava que o preservativo não era suficiente, queria viver a minha sexualidade livre sem a preocupação de doenças nem de gravidez e achava que a única forma consciente de o fazer era utilizar duas coisas: preservativo mais pílula. Por isso usei a pílula até aos 23 anos, durante esses três anos não mudei de ideias em relação a pílula, achava que tinha demasiados efeitos secundários e eu sentia alguns deles mas fingia não sentir porque me sentia segura, protegida contra uma gravidez não desejada e sentia-me livre (falsamente livre) mas aos 23 anos comecei a questionar se realmente valia a pena continuar a tomar, não tinha uma vida sexual activa a época de paixonetas, 1º namorados e descobertas sexuais já estava a tomar outras formas e decidi parar. Durante os anos seguintes (três em concreto), não tomei a pílula e senti grandes diferenças em mim e comecei a questionar-me o que supunha realmente inibir a ovulação (que é exactamente o que a pílula faz) e comecei a ter novamente dúvidas, as mesmas que me levaram até ao consultório do médico surdo que nem uma porta: O que é que o meu corpo trata de dizer-me?
Mas isso não impediu que volta-se a tomar a pílula aos 26 anos, esta vez o motivo foi o início de um relacionamento, depois de conversar muito com o meu companheiro acabei por ceder e voltei a tomar a pílula mas um ano depois comecei novamente a questionar-me, sentia-me desconfortável tomando-a. Na verdade o meu corpo começou a sentir-se desconfortável com varias coisas que eu lhe andava a fazer, tinha-me esquecido dos sensores e adoeci profundamente e decidi deixar de ‘empastilhar-me’ e a razão casal/relacionamento deixou de ter peso, compreendi que a contracepção (como outras coisas) requer um nível de compromisso dentro de uma relação e que tanto o homem como a mulher devem assumir conjuntamente a responsabilidade da sua fertilidade. Sentia que o meu ciclo menstrual era demasiado precioso para prescindir dele em nome do que quer que seja. Alguns meses depois a relação terminou e percebi que tinha entrado numa outra etapa da minha vida, na etapa de relacionar-me de outra forma comigo mesma e nestes últimos 5 anos investiguei, re-descobri o meu corpo, a minha sexualidade e todos os seus ciclos.

Agora pergunto-me se era necessário tomar a pílula para tratar/curar a linguagem do meu corpo, para evitar uma gravidez não desejada ou para nutrir uma relação? Não, claro que não mas também compreendo que este era o meu caminho, o caminho que eu precisava de percorrer para aprender a não mentir-me a mim mesma e a não acreditar que tudo o que reluz é ouro. Aprendi a dar ouvidos ao meu corpo e a minha intuição, assim como a identificar os meus ciclos e os seus dons. E depois de todo o caminho percorrido continuo a pensar que cada mulher tem a sua história, o seu caminho… que o nosso corpo nos pertence e que por isso não devemos tomar decisões que o afectem (que nos afectem). A responsabilidade pela nossa sexualidade é nossa, por isso devemos informar-nos, investigar e decidir com respeito e amor pelo/com o nosso corpo de mulher. Aqui fica minha investigação: 

  
A pílula apareceu 1961
(laboratório Schering)

  
Desde então tem-nos sido apresentada, a nós mulheres, como a panaceia e a quase imprescindível, porque nos liberta de todos os nossos males (dores menstruais, gravidezes não desejadas, escravidão para com o nosso corpo, etc.) outorgando-nos a liberdade de viver alheias ao nosso ciclo e as nossas hormonas verdadeiras e a tudo sem efeitos secundários.



Tudo o que reluz é ouro?



Nem tudo o que reluz é ouro
Pois é, os ditados populares estão carregados de verdades. Vamos ver algumas mentiras sobre a pílula.





Mentira 1
Não é a salvadora das mulheres


Com excepção dos momentos mais negros da história onde reinava a ignorância, a fome e as guerras, as mulheres de todas as épocas e culturas conseguiram controlar as suas maternidades com o conhecimento e consciência dos seus corpos e outros métodos de contracepção. É perverso acreditar que antes das hormonas sintéticas (ou agora se não as usamos) eramos mulheres analfabetas perante a nossa sexualidade.


  
Mentira 2
Não é perfeita


Nunca existem uma versão final. Utilizam as mulheres como cobaias. Em 40 anos de pílulas têm-se reduzido muito os valores da sua composição (de estrogénio e progestágeno) e têm-se sintetizado novas e melhor toleradas hormonas. Ou seja, a que nos é oferecida nunca é a melhor. Pelo caminho do aperfeiçoamento do produto, são as mulheres que pagam os erros das versões mais toscas. E estamos a falar de efeitos secundários leves, graves e mortes.


Mentira 3
Efeitos secundários

Como é que pode ser inofensivo um preparado hormonal sintético que faz o organismo acreditar que existe uma gravidez, inibe a ovulação e actua no cérebro, nos ovários, nas trompas de Falópio e no útero inibindo as duas hormonas chave da ovulação: FSH e LH?
As hormonas da pílula penetram no nosso sangue, viajam pelo nosso corpo e afectam a muitos tecidos e órgãos como as hormonas naturais, mas as sintéticas têm efeitos secundários exagerados no nosso corpo de mulher. Desafortunadamente nem os médicos sabem quais são os riscos.


 EFEITOS SECUNDÁRIOS
·       Problemas Cardiovasculares
·       Hipertensão
·       Mudanças nos seios
·       Mudanças no fluxo menstrual
·       Sangramento entre os períodos
·       Dores de cabeça
·       Depressão
·       Mudanças na intensidade e no desejo e resposta sexual
·       Infecções no sistema urinário
·       Vaginites e fluxo vaginal
·       Problemas de pele
·       Inflamação das gengivas
·       Epilepsia e asma
·       Doenças na vesicula e fígado
·       Infecções virais
·       Outros


Cancro | Como sempre há muita controvérsia científica sobre este tema e há estudos para todos os gostos mas a balança pende para que “pode aumentar o risco de cancro no colo do útero e não se sabe se o de mama.”

Fertilidade | A incidência de esterilidade a longo prazo é mais elevada em mulheres que tomaram a pílula; mais de 7 anos com hormonas, não é recomendado pelos especialistas, caso desejes ficar grávida.

Sistema Imunitário | Há uma maior predisposição para infecções virais por parte de mulheres que tomam a pílula

·       Cancro
·       Maior risco de trombose cerebral
·       Esterilidade a longo prazo
·       Debilitação do sistema imunitário
·       Mudanças de humor

Atenção! Estes efeitos secundários são no corpo físico:

Uma coisa clara é que a pílula impede totalmente a comunicação interna e a maravilhosa sinfonia entre o cérebro, as hormonas, útero e os ovários. Tem-nos desconectado com a sabedoria feminina. “
Dr.ª Northrup



Mentira 4
Dependência

A pílula dá-nos uma aparente liberdade mas no fundo faz-nos escravas dos laboratórios porque pagamos diariamente por anular um processo natural, útil e imprescindível do nosso corpo.

A medicina deixa a mulher indefesa em mãos da química ou da mutilação “ectomias”). É difícil que controlemos o nosso corpo e a nossa vida. Devemos proteger a fecundidade e a saúde das mulheres e evitar os milhões de abortos diários. Isto constata com terrível claridade o quanto pouco livres somos as mulheres.”
Germaine Greer

  
Mentira 5
O fim da menstruação

A FDA já aprovou 2 marcas de pílula contraceptiva que reduz o número de menstruações a 4 por ano alterando de forma radical o ciclo: Seasonale e Lybrel.
Isto é o cúmulo da ignorância, infra-valorização e desprezo absoluto pelo corpo feminino e realmente pelas mulheres. Um exemplo claro da actual CIÊNCIA SEM CONSCIÊNCIA. Ninguém se lembra de cortar a trompa aos elefantes, os testículos aos homens ou as asas aos pássaros. Isto é mutilação dos órgãos importantes no seu corpo. E é exactamente o que ocorre no sistema endócrino feminino: ele é sagrado e vital no nosso organismo, a nível físico, psicológico e energético. Se a lista de efeitos secundários é enorme com a pílula mensal, o que será com estas novas pílulas?


Mentira 6
A Pílula é Imprescindível para planificar a natalidade


Planificar a natalidade é autogerir a nossa fertilidade e para realmente conseguirmos fazer a AUTOgestão da nossa fertilidade devemos repensar a nossa percepção e experiência sexual.
Existem métodos contraceptivos respeitosos com a mulher e os seus processos hormonais, com alta fiabilidade e muito modernos. Estes métodos têm como ponto de partida que os homens são sempre férteis mas as mulheres são apenas num intervalo máximo de 2 dias. Só se ovula 1 vez em cada ciclo e quando é dupla é num espaço máximo de 24 horas. O óvulo tem um período limitado para ser fecundado 24 horas e os espermatozóides só sobrevivem no máximo 5 dias quando tem as condições necessárias. Condições proporcionadas pelo organismo feminino apenas num pequeno período do ciclo. As mulheres podemos recuperar a nossa relação com o corpo e saber quando somos férteis ou inférteis tal como sabemos quando temos sede ou fome.



A pílula e o meio ambiente

A pílula também pressupõe a ‘estrogenização’ do meio ambiente, uma vez que os seus resíduos hormonais são impossíveis de filtrar, e das águas residuais passa para a cadeia trófica.

Os métodos contraceptivos hormonais com estrogénios têm sido especialmente desenhados para transtornar o funcionamento natural do sistema endócrino da mulher. Mas também actuam como disruptores endócrinos no meio ambiente através das águas residuais, alterando a reprodução de algumas famílias de peixes ou até alterando o comportamento dos seres vivos.

Temos estudos suficientes para afirmar que a exposição de estrogénio no meio ambiente pode ter efeitos adversos nos humanos. Por exemplo, descenso do número e da qualidade do esperma, o aumento de cancro nos órgãos reprodutivos como o peito, próstata, a puberdade prematura e o aumento da endometriose.


A hormona Ethinylestrodiol
A pílula e o meio ambiente (cont.)


O que é o Ethinylestrodiol? E que efeitos têm no meio ambiente?
É uma hormona sintética e um dos principais temas de investigação recente no impacto meio ambiental dos contraceptivos hormonais. O anel ou o adesivo contraceptivo podem pressupor mais riscos meio ambientais depois de utilizados pelos próprios resíduos de estrogénio através da urina. Um adesivo utilizado e atirado a sanita ou enviado para estação de tratamento residual pode danificar a fauna pois continuam a desprender Ethinylestrodiol. Por isso os contraceptivos hormonais podem ter efeitos muito além da mulher individual que os usa.


Ser Mulher parece ser uma doença bastante benéfica para os laboratórios que querem tratar os nossos processos naturais femininos com medicamentos. Durante a revolução industrial triunfou CONCEITO DE CONTROLO E MANIPILAÇÃO sobre as pessoas (principalmente mulheres e bebés) e sobre a natureza. E com esta ideologia dominante na sociedade, na ciência e na medicina libertaram-nos do parto, da amamentação, da criação, da menstruação e de nós mesmas. A MULHER É HORMONICA E CICLICA mas todos os métodos contraceptivos hormonais estão introduzidos sem respeitar esta harmonia. A pílula afastou-nos do nosso corpo e obstaculizou a função intuitiva. Milhões de mulheres estão conectadas com a indústria farmacêutica e não com elas mesmas. Precisamos muita informação científica e rigorosa, e sobretudo precisamos ouvir-nos a nós mesmas. Não somos umas ignorantes e disfuncionais a quem a medicina deve concertar, melhorar ou salvar. E eu pergunto-me: Mas a medicina oficial/alopática sabe verdadeiramente algo sobre o ciclo menstrual da mulher? Agora são prescritas hormonas para tudo: contracepção, irregularidade, dores,… O que é que os médicos têm feito desde Hipócrates até 1961 ano em que se inventou a pílula?

A verdade é que NÃO SABEM COMO É QUE SOMOS além dos órgãos físicos analisados de forma independente.



“Ninguém sabe como seria uma mulher sã. Como se pode tratar a uma mulher se não se sabe o que é ser mulher?” Germaine Greer

O potencial do sangue menstrual...

"Se algo é sagrado… o lugar para começar é o corpo. Se o corpo não é sagrado… não há cultural alguma. O potencial do sangue menstrual em si mesmo, que antes conectava a mulher com o sagrado, é agora a origem da sua desconexão e a sua falta de poder. Manter as mulheres longe da compreensão do poder da menstruação e o potencial de união que ser mulher pode conferir…. Este é o mais essencial, profundo e antigo assunto… Isto é o que faz com que as mulheres deixem de conhecer o seu próprio poder. Mas tudo esta interrelacionado. Esta entrelaçado com tudo o que nos impede compreender o nosso potencial como seres humanos. “


 Chris Knight, professor de antropologia na Universidade do Este de Londres
Durante uma conferência sobre a saúde da mulher

Foto de Emma Arvida Bystrom

Mães e Filhas (1)

Atenção Materna: Nutriente Essencial para Toda a Vida



Três mulheres na sua relação com a maternidade.
Há 35 anos, Karen (Annette Bening) ficou grávida com apenas 14 anos e, sem hipótese de escolha, foi obrigada a dar a sua filha para adopção. Ela nunca conseguiu lidar com essa perda e hoje é uma pessoa amargurada e com enormes dificuldades de relacionamento.Já a sua filha, Elizabeth (Naomi Watts), é uma advogada de sucesso focada apenas em vencer por mérito próprio e com relutância em criar laços de qualquer espécie. Enquanto isso, Lucy (Kerry Washington) sonha ser mãe e, sem conseguir engravidar, resolve finalmente partir para a adopção. Simultaneamente confrontadas com escolhas decisivas, estas mulheres vão ver os seus destinos entrelaçados de forma inesperada.

Este é o argumento do filme (que vi a bastante tempo em e que já revi varias vezes) “Mães e Filhas” (Mother and Child) de Rodrigo Gracía mas acima de tudo é a mostra viva como a relação mãe e filha é o vínculo central na vida de uma mulher. O nosso corpo e as nossas crenças sobre nós mesmas são construídos no terreno das emoções, crenças e comportamentos da nossa mãe. Já antes de nascer, a mãe nos dá a primeira experiencia de carinho e sustento. Ela é o primeiro e mais potente modelo do papel feminino. Os nossos corpos e os delas (das nossas mães e das nossas filhas) tomaram forma numa rede de continuidade e sustento… numa biologia imbuída pela consciência de que podemos retornar ao princípio dos tempos nesta espiral de úteros. Por isso cada filha contém em si a sua mãe e a todas as mulheres que a precederam.

Da nossa mãe aprendemos o que é ser mulher e a cuidar o nosso corpo. Quando me imagino dentro do ventre da minha mãe vejo como as minhas células se dividiram e se desenvolveram ao ritmo do bater do seu coração. Foi essa a sinfonia que ouvi durante nove meses, nove meses durante os quais a minha pele, o meu cabelo, coração, pulmões e ossos foram alimentados pelo seu sangue, sangue que estava cheio de substâncias neuroquímicas formadas como resposta aos seus pensamentos, crenças e emoções. Quando ela se sentiu com medo, ansiedade, nervosismo ou se sentiu sozinha durante a gravidez o meu corpo apercebeu-se de todos esses sentimentos assim como também sentiu todos os momentos em que ela se sentiu feliz, segura e satisfeita com a gravidez… e assim sentindo o que ela senti, fiz meus também os sentimentos.

Os sentimentos e os sonhos das nossas antepassadas maternas formam parte do nosso legado por isso é tão importante para nós, mulheres, conhecer a nossa linhagem materna, ser conscientes da forma como a história da nossa mãe influência a nossa saúde, as nossas crenças e a nossa maneira de viver a vida e como continua a fazê-lo sempre!

Descobrir a nossa história, cura-la e integra-la de forma consciente ajuda-nos a renascer como mulheres mais plenas e livres assim como contribui para curar a todas as mulheres que nos precederam e a todas as que estão por chegar.

E o filme do qual falei nas primeiras linhas deste post fala disso mesmo, da influência, muitas vezes inconsciente, de uma mãe sobre a sua filha. Quando a relação de uma mulher com a sua mãe é sã e de mútuo apoio e a mãe lhe transmitiu mensagens positivas sobre o seu corpo feminino e a forma de cuida-lo os obstáculos da vida são mais fáceis de superar e a saúde física e emocional da mulher é plena mas quando a influência da mãe é problemática o há uma história de descuido, maus-tratos, alcoolismo ou doenças mentais, então as coisas se complicam e os obstáculos parecem maiores e a saúde física e emocional fica mais vulnerável. Totalmente centrado no sexo feminino, o filme de Rodrigo Garcia explora as (dolorosas) experiências de um grupo heterogéneo de mulheres.
As difíceis decisões que tiveram de tomar, o impacto que as mesmas tiveram em quem as rodeiam, o que isso implicou nas suas vidas e na das suas filhas, são algumas das questões que transpiram de um filme intenso e melodramático que vai muito para além do esperado!

Vejam o filme e depois sentem-se com lápis e papel e escrevam uma historia sobre a relação que tinham com a vossa mãe, como é que ela vos animava ou desanimava, quais as características da vossa mãe que hoje são vossas também…

Atelier " O Despertar do teu Útero" | 10 Agosto | Porto


O Reconectar e relaxar o ÚTERO 
Para a medicina tradicional chinesa, o útero é o primeiro motor energético do corpo da mulher. A educação, a repressão sexual, os traumas infantis, a relação com a mãe, os medos de ser mulher… têm feito com que o útero (que ante tudo é uma massa muscular) fique tenso, contraído. Isto provoca menstruações dolorosas, partos complicados, falta de energia e vitalidade, incapacidade para criar, falta de desejos ou anorgasmia, insegurança, falta de auto-estima… Reconectar a tua consciência, novamente, com o teu útero e relaxa-lo permite-te desfrutar da tua menstruação, dos teus partos, da tua sexualidade e aporta-te uma maior satisfação sexual, uma maior criatividade, uma maior vitalidade e poder pessoal… Tomar consciência do útero ajuda-te a desbloquear emoções.

Recuperar a consciência do útero no nosso corpo assim como para que serve e como funciona ajuda-nos despertar e Reconectar com o nosso poder de mulher recuperando a nossa sensibilidade uterina e a nossa sexualidade de mulher. Trabalhar o relaxamento e a conexão profunda com o útero permite-nos despertar a nossa energia interna. Conectar com a vitalidade e o prazer uterino tem múltiplos benefícios como nutrir a criatividade, maior autoconhecimento e cura emocional...

Convidamos-te para um encontro grupal que procura curar a tua Feminitude e energizar o teu Poder Interior. 

Práticas do Encontro
Visualização consciente e Concentração no/do útero
Respiração Consciente
Artesania Alquímica | Xamânica 
Energização do útero
Automassagem da zona pélvica

Material para trazer
Caderno de apontamentos e caneta |1 pedaço de tecido vermelho 50x50 (aprox.) |Uma peça de roupa velha que já não uses e da que te queiras desfazer. 

Duração | 3h30 | Inicio 14h30 (Agradecemos pontualidade)

Data | 10 de Agosto

Local  | Casa Céu e Terra
Rua do Bonfim, nº 325, 4300-070 Porto


Informações e Inscrições: projecto.ceu.terra@gmail.com

Valor: 
20€* (inclui restante material e tea break)
15€ para membros do Circulo de Mulheres- JardineriaHumana

*Sugestão de Contribuição Amorosa na Caixinha da Abundância, 20€
Para conseguir que os trabalhos realizados pela Casa Céu e Terra em parceria com "Jardineira Humana" cheguem a um maior número de mulheres e homens existe "A caixinha da Abundância". O valor sugerido não deverá ser impeditivo de participar nos eventos, por isso cada uma poderá contribuir na medida das suas possibilidades: Quem não pode pagar, não paga, ou paga menos e aquelas com mais condições podem pagar mais, se assim o sentirem. Acima de tudo façam esta contribuição com muita gratidão, por compartilharmos momentos tão importantes para todas.

Encontro orientado por Aida Suárez
Animadora Sociocultural | Técnica Psicossocial | Formadora
Mulher Criativa. Mulher cíclica que sangra, renova, cria e transforma e tudo o mais que a vida me vai proporcionando ser a cada momento por isso cultivo a poliformação, reúno recursos nas áreas da animação socio-cultural, escrita intuitiva e curativa, consciência corporal, artística (teatro e narração de histórias). Absoluta crente na Criatividade como motor do desenvolvimento pessoal, produtivo e curativo. A criatividade que nos permite ir onde nada mais nos pode levar, ao fundo de nós mesm@s. Criadora da “JardineriaHumana”, um sonho-projecto que abraça a tarefa desafiadora de resgatar, ancorar e manter o vínculo com o conhecimento matri-geracional a cerca do Ser Mulher e do seu poder criativo, desafiando outras Mulheres a aceitar o mesmo desafio… através de encontros circulares e ateliers de Psicocriatividade.

Fartinha...

Fartinha de que os “profissionais” da saúde prescrevam a pílula contraceptiva para outros fins que não evitar uma gravidez (contracepção) e que não esclareçam, como devem e como são obrigados a fazer, sobre os efeitos do uso deste medicamento. Sim, a pílula contraceptiva ou qualquer outro contraceptivo hormonal é um medicamento. Minhas senhoras comecemos pelo próprio nome “P í l u l a C o n  t r a c e p t i v a”  se tivesse sido criada para outros fins talvez se chama-se “Pílula Multiusos”.  

Acho um piadão que na publicidade médica e farmacêutica dizem “Não use este medicamento sem consultar o seu médico…” (e os médicos consultam quem!?! Pergunta irónica e puramente retórica todas sabemos que a fonte de saber médica é a omnipresente e que tudo sabe industria farmacêutica)  e recomendam a leitura das bulas para saber como tomar e que efeitos podem ocorrer (mesmo sabendo que a maioria não vai ler e por isso podiam ter o cuidado e a ética de ser eles alertar mas não convém, certo!?!).
A verdade é que desde 1960, quando Pincus y Rock encontraram a fórmula de fazer com que as mulheres fossem inférteis (sim, a pílula torna-nos inférteis e nem sempre temporariamente) e a baptizaram como pílula contraceptiva, colocando-o a disposição das mulheres, este medicamento tem sido o mais usado (e abusado) por pessoas saudáveis na história farmacológica moderna. Não vou mencionar os malabarismos e subterfúgios usados até a sua comercialização e fazer com que a pílula fosse aceite pelas mulheres que a utilizaram, isso fica para outro dia.

Eu quero focar-me no uso abusivo deste medicamento e como este medicamento previsto para manipular os ciclos menstruais e assim evitar a gravidez (ainda não compreendi esta mania em regularizar algo que por natureza se autoregula sozinho, ou seja, o nosso corpo) passa a ser prescrito para qualquer tipo de padecimento que desestabilize a tão desejada regularidade endocrinológica feminina.
A verdade é que hoje mal uma mulher entra num consultório médico/ginecologista e se queixa seja do que for a resposta é quase sempre a mesma “vamos tomar a pílula para regular a situação”… Vamos!?!  Vais. E a mulher nem se quer se questiona o porque de tanta regularização. Minhas senhoras, a única indicação conhecida e devidamente validade deste medicamento é a contraceptiva.  

Onde fica o marco legal em tudo isto? Porque é obvio que desde um ponto de vista legal não é correcto prescrever fármacos sem indicações reconhecidas para além de existir uma obrigatoriedade de informar sobre os mesmo as pessoas que os vão consumir, ou seja, não é mesma coisa dizer: Vais tomar a pílula contraceptiva para regular o acne, ou para regular os quistos nos ovários, ou para regular o fluxo menstrual ou para regular isto ou aquilo. Do que dizer: Olha talvez pudéssemos experimentar a pílula contraceptiva para isto ou aquilo contudo não sei se vai resolver o problema e os efeitos secundários são os seguintes… e uma vez apresentados tais efeitos convidar a paciente decidir sobre o seu próprio corpo. A margem de escolha da paciente muda radicalmente num discurso e no outro mas é claro que em nenhum deles são apresentadas alternativas o que realmente colocaria nas mãos da paciente uma real e efectiva, livre e voluntaria escolha do caminho que deseja seguir. Porque? Não compensa sermos nós a escolher?

Concretamente existem situações clínicas comuns onde os contraceptivos hormonais orais ou por outra via são prescritos com outros fins que não a contracepção. De certeza que já te aconteceu, apetece-te partilhar a tua história? Podes fazê-lo no fim deste post, usando os comentários. 
Vamos ver algumas destas situações:

Contracepção hormonal combinada para ciclos hormonais pouco regulares.
A contracepção hormonal não é para regular a menstruação é sim para suprimi-la. Sei que causa estranheza a certas mulheres mas a hemorragia que se tem no momento de pausa é uma hemorragia artificial por privação hormonal. É por essas e por outras que aos poucos se começa a pensar que é inútil que as mulheres sangrem artificialmente e que é lógico avançar com um método contraceptivo hormonal que apenas provoque um sangramento entre 1 a 4 vezes por ano. Quando nos vendem esta maravilha esquecem-se de dizer que isto vai aumentar o consumo do medicamento (nº de partilhas) o que aumenta o número de vendas e o que por sua vez beneficia os fabricantes. Há publicações que dizem: ‘As mulheres devem saber que já abandonaram o seu ciclo menstrual normal por uma menstruação de privação hormonal quando utilizam contraceptivos hormonais e que não existe nenhuma justificação médica para que o sangramento ocorra mensalmente.’
Se bem que depois encontramos outras contraditórias o que ainda gera mais confusão e a minha pergunta é: “A quem é que eles tentam convencer?”

Sim leram bem, “A q u e m é q u e e l e s t e n t a m c o n v e n c e r?!!”
Minhas cíclicas damas a menstruação (vamos deixar de a chamar período ou regra são nomes que tenta uniformiza-la) é o resultado final do funcionamento conjunto do hipotálamo-hipófise-ovários; os níveis hormonais desencadeados da interacção entre estas estruturas determinam as mudanças no tecido que recobre a matriz ou útero (endométrio) e dela deriva o sangramento mais ou menos regular. A pílula contraceptiva inibe esta interacção e impõe ao endométrio as suas próprias condições para produzir o sangramento. O que nos leva a concluir que não há uma indicação terapêutica para usar a pílula ou outro contraceptivo hormonal com a única e exclusiva finalidade de regular a menstruação, salvo o caso em que se deseje também a contracepção.

Contracepção hormonal para quistos benignos nos ovários
Em ocasiões e em determinadas etapas da vida, os ovários criam estruturas no seu interior que, fundamentalmente, desde que dispomos da ecografia e das análises hormonais, se têm teimado em chamar de quistos benignos e na pior das situações ovários poliquísticos. Aqui temos dois inimigos a tecnologia e a ciência médica que se aliaram para nos colocar nas costas mais uma patologia, quando a “arma” cai nas mãos erradas é o que acontece! Do qual podemos concluir (depois de anos de diagnósticos errados) que a medicina convencional desconhece a causa da maior parte destas estruturas e que o tratamento é dirigido apenas à suspensão dos sintomas criando “menstruações” regulares. Mais uma vez podemos ver como usar a pílula contraceptiva ou outro medicamento similar com o único propósito de supostamente curar quistos nos ovários ou outras patologias, maiores ou menores do ovário não resolve nada. Caso queiram saber mais sobre o aparecimento destas estruturas nos ovários recomendo a leitura do livro “Corpo de Mulher, Sabedoria de Mulher” da Drª Christiane Northrup.

Contracepção hormonal para amenorreia.
Há circunstâncias nas quais o stress, os transtornos da conduta alimentar e outras problemáticas que afectam a saúde física e psíquica das mulheres, obrigam o nosso corpo a economizar recursos e poupar uma perda de sangue que pode ser muito valiosa, motivo pelo qual suprime a menstruação. A ausência da menstruação (amenorreia) não é mais do que o aviso de que chegamos ao limite tolerado e que se transbordarmos entramos numa zona de perigo. Mas mesmo assim é demasiado habitual prescrever nestas situações a pílula contraceptiva ou similar e mais uma vez sem uma indicação correcta.
'Sangrantes' mulheres cíclicas, quando uma mulher esta com amenorreia a solução não é enganar o corpo com uma menstruação falsa, só vamos encontrar uma solução se investigarmos e descobrirmos onde radica o desequilíbrio para tentar corrigi-lo, certo? Também não existe uma indicação nos casos de endometriose, dismenorreia, sangramento menstrual excessivo ou síndrome pré-menstrual.

Contracepção hormonal para o acne
O acne (acne vulgaris) é uma doença inflamatória cronica que afecta o folículo polisebaceo, no qual, entre outros factores intervém a infecção por propionobacterium acne e outras bactérias. Entre as opções terapêuticas é verdade que existe medicamentos hormonais para esse fim caso sejam necessários e que contém ciproterona , antiandrogeno e etinilestradiol mas volto a frisar que são medicamentos hormonais com a finalidade do tratamento do acne e não são contraceptivos hormonais.
Aproveito para vos animar a fazer mascara de argila e água menstrual para tratamentos de acne antes de experimentar medicamentos ou cremes farmacêuticos.

Podíamos continuar aqui a mencionar e descobrir prescrições não próprias dos contraceptivos hormonais mas acho que já chega para nos perguntar qual serão os interesses e desconhecimento que acompanha cada acto medico no qual esta relacionado o ciclo menstrual. Porque é que desde a década de 60 este medicamento, com as suas vantagens e desvantagens tem sido usado e abusado sem limites.

A única verdade é que os contraceptivos hormonais combinados têm uma única aplicação, evitar a concepção e é para isso que devem ser prescritos. E que não nos vendam gato por lebre dizendo que tomar um contraceptivo hormonal diário melhora a qualidade de vida das mulheres, escondendo o obvio que a qualidade de vida se desfruta sendo livres.

Fonte:


  • Artigos vários de Enriqueta Barranco Médica ginecologista e Directora da Cátedra de Investigação Antonio Chamorro-Alejandro Otero da Universidade de Granada.
  • “Corpo de Mulher, Sabedoria de Mulher” da Drª Christiane Northrup.


Se já te indicaram a pílula contraceptiva ou similar com outra finalidade que não a contracepção conta-nos.  Podes fazê-lo usando os comentários.