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O Bosque dos Contos

 
Quando levo a sessão de contos “Tenda Vermelha”[i] a encontros e círculos de mulheres e há meninas e adolescentes no grupo, no fim, há sempre uma ou duas que me preguntam porque é que quase todas as histórias da sessão se desenvolvem num bosque ou muito próximas dele. A verdade é que eu não conto as histórias descrevendo que os acontecimentos se desenrolam no bosque com a excepção de uma mas é verdade que o nosso imaginário (colectivo) nos pode levar a situar o cenário das histórias que alinhavam esta sessão de contos num bosque. E é o que acontece muitas das vezes. 

Desconheço o/a autor/a. Agradeço informação
Isto porque o bosque pode ser (e é no mundo da imaginação, do onírico) a ponte com a nossa expressão criativa e fecunda.

Alguma vez se perguntaram porque é que avó da Capuchinha vivia numa casa do outro lado do bosque, “obrigando” assim a jovem rapariga a ter que o atravessar para a ir visitar?

Alguma vez se perguntaram porque é que o bosque exerce tanto fascínio na Capuchinha ao ponto de quando o atravessa não sentir medo e sim curiosidades de explorar outros caminhos?

No bosque estão as árvores e as árvores ao longo dos tempos estiveram ao pé das mulheres (e dos homens) quer nos bosques, quer nas grandes cidades, em jardins e parques. As árvores (os bosques) são símbolo de uma natureza selvagem, útil, estranha e/ou valiosa. As árvores utilizam as 4 energias, ar, água, terra e fogo exteriorizando-as através das raízes, folhas e frutos manifestando a sua força e a sua beleza.

No conto da Capuchinha[ii] (na verdadeira história) as árvores representam a verticalidade humana, a união entre o céu e a terra.

A imagem das árvores (dos bosques) esta tatuada na nossa imaginação e facilmente conectamos com ela.

É o que acontece a Capuchinha (e as meninas e as jovens que me perguntam na sessão o porquê do fascínio pelo bosque) que sente uma profunda conexão com o bosque “perdendo-se” nele e desejando descobrir todos os recantos.

Ela (ou seja cada uma de nós e das capuchinhas que nos habitam) observa as árvores e vê[iii] como cada árvore do bosque deitou raízes e cresceu graças a (re)união de forças descendentes e ascendentes as quais esta submetida. Árvores e mulheres expressam o seu potencial de realização (re)unindo as suas fases lunares e solares, divina e terrestre, luz e sombra, ying e yang, santa e puta…

Árvore e mulher são elementos vivos do cosmos, ambos simbolizam a vida em perpétua evolução.

A elevação ao céu e o enraizamento profundo na terra evocam tal como o corpo da mulher o caracter da vida: morte, regeneração, austeridade e renovação.

Observar as árvores, enraizar-se na natureza permitiu a jovem Capuchinha intuir como o seu corpo se parecia com as árvores… As raízes são as profundezas subterrâneas, o tronco e os primeiros galhos ganham vida na superfície terrestre e nas alturas os galhos e ramos mais altos crescem em direcção ao sol e se enchem de pássaros.

Quando uma mulher passeia pelo bosque, se “perde” nele aprende a cultivar, a podar, a integrar e a modelar a sua ciclicidade (a sua árvore interna) para poder gerir melhor as potencialidades do seu ciclo menstrual/hormonal. Passear pelo bosque, conectar com a natureza ajuda-nos a activar a nossa seiva para poder revitalizar a nossa energia. Como esta sessão de contos “Tenda Vermelha” é uma sessão interactiva durante um dos contos fazemos um exercício de enraizamento, querem fazê-lo comigo agora?

EXERCÍCIO DE ENRAIZAMENTO
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Depois de percorrer os contos, as suas imagens, cores, símbolo, BOSQUES e mensagens e de juntas nos abrir-mos a mundo subtil das mil e uma cores da NOSSA CICLICIDADE gosto de fechar a sessão com um conto que termina assim:

“Vão, vão ao bosque… vão depressa se não a vossa vida jamais começara.”

Próxima sessão de Contos aqui»»


__________________________
[i] Se queres ter mais informação sobre esta sessão de contos escreve-me um email: jardineriahumana@gmail.com
[ii] Que é o conto de todas nós. Todas somos Capuchinhas.
[iii] Com os olhos da alma

E vocês gostam de passear pelo bosque? Gostam de abraçar as árvores e enraizar-vos com a natureza? Contem-me tudo aqui nos comentários :)

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O Bosque Pré-Menstrual

   

Todos os meses visito o bosque[i] pré-menstrual e convivo com as Capuchinhas que o habitam

Cada uma das 4 Capuchinhas (a C. Vermelha, a C. Indomável, a C. Sedutora e a C. Feiticeira[ii]) que habita em mim (em cada uma de nós) se desdobra em diferentes formas de expressão que expressam as possíveis combinações entre o meu mundo cíclico que fervilha criatividade e os diversos dons intuitivos e desafios que me habitam a cada fase.

A passagem de uma Capuchinha para outra é progressiva, feita dia a dia, dando espaço a que outras capuchinhas se expressem também. Hoje convido-vos a passearem comigo pelo meu bosque pré-menstrual na companhia da Capuchinha Feiticeira e conhecer as 9 Capuchinhas em que ela se (pode) desdobra(r).

Bosque pré-menstrual 
Ilustração do conto kamishibai "Por Trás da Capa Vermelha", texto Aida Suárez e Ilustração Cândida Campos
Nos primeiros dias da fase pré-menstrual a Capuchinha Feiticeira que sou, é acolhida pela Capuchinha Visionária. A Visionária ensina-me a manifestar toda a minha energia para reencontrar a minha liberdade. Enquanto habito a casa da Capuchinha Visionária a minha visão permite-me descobrir a verdadeira verdade (perdoem-me a redundância) do meu desejo, ajuda-me a discriminar as sombras, compreende-las, transforma-las e finalmente vence-las.

Abandono a casa da Capuchinha Visionária… a Capuchinha Feiticeira que sou continua o seu caminho pelo bosque pré-menstrual e chega até a casa da….

… da Capuchinha Exilada. Visito a sua casa nos ciclos mais densos e emocionalmente desafiantes. Recolho-me na sua casa quando a minha pré-menstrualidade se manifesta ‘premonstrualmente’, ou seja, sou habitada por energias/emoções depressivas que se colam na minha pele e sinto que o meu corpomente descende para o submundo na procura da minha essência. Visito a sua casa para descobrir o que precisa ser limpo, purificado, barrido e depois transformado.

A Capuchinha Feiticeira que sou regressa ao trilho do bosque e continua o seu caminho pelo bosque pré-menstrual até chegar a casa da Capuchinha Criativa. Visito a casa da Criativa nos ciclos em que a minha “alma tem fome”, quando estou cansada de ser uma mulher sensata que se esforça para encaixar nas normas sociais esperadas. Visito a sua casa quando preciso reencontrar-me e/ou nutrir a minha mulher selvagem.

"Somos o fruto da cultura que nos tolhe
Que nos escraviza pela expectativa que escolhe
Impor em nossos corpos, tortos pra caber no molde
Impor em nossos sonhos, mortos pra servir a prole
Comportamentos amenos, a menos que sejas louca
Com recato e em privado, não te exponhas como a outra
Abre menos essa boca, poupa o teu questionamento
Rosto e corpo no ponto, mas com pouco pensamento, tento
Fazer diferente, ser diferente dessa norma militantemente
Ser exemplo, contradizendo-o sempre
Com tradições nascem contradições opressivas
Como lições pra sermos fracas e reprimidas
Sem autoestima, postas de lado como um talher
Não foi pra isso que nasci uma mulher!
Não vou cumprir com a puta da expectativa
Não é para ela que oriento a minha vida..."

Regresso para a trilha e continuo o caminho junto com a minha Feiticeira até encontrar a casa da Capuchinha da Heroína. Visito-a sempre que preciso dissipar o nevoeiro que não me deixa ver o meu poder cíclico, mamífero e humano.

O bosque espera por mim e pela Capuchinha Feiticeira que sou, continuamos o nosso caminho e encontro a casa da Capuchinha Xamã. Visito a sua casa nos ciclos em que preciso transformar-me em maga da minha vida e assumir o meu poder pessoal não com truques de ilusionismo mas com o meu registo cíclico intuitivo e com autocuidado e autoconhecimento do meu corpomente.

Eu e a minha Feiticeira regressamos ao caminho do bosque para seguir a nossa viagem e chegar a próxima casa. A casa da Capuchinha Afrodite. Visito a sua casa quando preciso recuperar ou equilibrar a meu magnetismo e reencontrar os caminhos da liberdade do amor, primeiro do amor-próprio e depois do amor pelos outr@s.

Regresso novamente ao bosque para seguir o trilho pré-menstrual e chegar agora a casa da Capuchinha Amazona, essa mulher guerreira que todas somos. Normalmente, visito a sua casa nos ciclos em que preciso despertar as minhas qualidades solares adormecidas para equilibrar as minhas forças receptivas e activas. Ela ajuda-me a dançar com todas as minhas qualidades (dons) e complementar a suavidade com a determinação dos meus impulsos criativos (criar-vida).

Regresso ao caminho na companhia da Feiticeira, para me dirigir até a casa da Capuchinha Negra, normalmente visito a sua casa nos últimos 2/3 dias da fase pré-menstrual, preciso dela para reequilibrar as minhas forças.

O meu poder criativo, neste momento da fase pré-menstrual, anda de mãos dadas com a minha capacidade de destruir. Há ciclos, em que os dias que passo na sua casa me parecem um verdadeiro inferno mas é na escuridão da Capuchinha Negra que posso fazer a limpeza necessária na minha vida: seleccionar, ordenar, queimar as coisas velhas que no presente se tornaram inúteis.

Quando o trabalho de apreender a equilibrar as minhas energias contraditórias e usa-las a meu favor esta concluída a minha passagem pela casa da Capuchinha Negra e é o memento de continuar o caminho até a última casa, a casa da Capuchinha Sacerdotisa.

Visito a sua casa quando me sei em harmonia. Habito a sua casa quando me sinto mulher consciente e conectada com o meu corpomente de forma plena. Quando me sinto poderosamente inspirada e utilizo sem medo a minha criatividade[iii].

E estas são mais 9 capuchinhas que habitam em mim durante a fase pré-menstrual. Querem conhece-las mais intimamente? Querem conhecer como habitam o bosque (corpo) pré-menstrual?

Então, fiquem atentas ao blog e a página do facebook continuarei a contar-vos sobre a minha viagem pelo ciclo menstrual e as capuchinhas que o habitam. 



[i] Gosto de imaginar que o o meu corpomente é um bosque onde habitam mulheres mágicas.
[ii] Podes conhecer melhor estas 4 Capuchinhas no livro “Por Trás da Capa Vermelha”
[iii] A fase pré-menstrual é potencialmente criativa. 

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Queres mergulhar no mundo Alquímico do Ciclo Menstrual para extrair as chaves da transformação cíclica? Junta-te a tribo da capuchinhas.

Menstruação atrasada? Calma! Pode não ser gravidez ...

   

O atraso da menstruação é um tema comum entre amigas. Estou certa que já todas vocês, o tiveram com uma amiga próxima ou até com vocês mesmas: “A menstruação já me devia ter descido… porque será que esta atrasada… sei que não estou grávida por isso já tinha de me ter descido…”

No passado dia 6 de Janeiro foi encontro das Capuchinhas Magas e falamos de muitas coisas, entre elas, o atraso ou a ausência da menstruação durante um período de tempo…



Cada uma de nós, comentava que já tinha tido atrasos, que a menstruação se tinha ausentado por x tempo, que tinha isto e aquilo e depois de cada uma contar a sua própria história não foi difícil olharmos umas nos olhos das outras e dizer quase em uníssono:

“Quando a menstruação não chega… é o corpo que esta falar connosco.”

E é mesmo isso, existem várias causas que podem atrasar ou inibir a nossa menstruação por um período de tempo e que não é propriamente uma gravidez.

Depois do nosso encontro fiquei com vontade de fazer uma lista dos motivos mais comum para o atraso ou suspensão da menstruação mais comum e partilha-la convosco e cá estou eu.

Mas antes, queria salientar apenas que do ponto de vista médico, 15 dias de atraso menstrual é o ponto limite do que é considerado um atraso "normal" e um " atraso não normal", é a partir de 15 dias sem a menstruação descer, se assim for é hora de fazer exame de gravidez, e caso já se tenha feito é hora de repetir o exame e o que mais se precisar, dependendo da avaliação do seu/sua médico/a ginecologista ou outr@ terapeuta que vos acompanhe.

Menstruação atrasada: causas além da gravidez

#1 Stresse
Já sei que o stresse tem as costas largas, por tudo e por nada lhe deitamos a culpa, mas a verdade é que ele é um inimigo grande do nosso ciclo menstrual/hormonal. Existem vários estudos que mostram como ele influência o nosso ciclo e que evidenciam que é a causa de alterações nos Ciclos Menstruais assim como em situações de infertilidade. Prometo em breve escrever um post sobre o nosso ciclo menstrual e o stresse com dicas e alimentação para que a relação entre ambos seja positiva J

#2 Excesso de peso
Sobrepeso e obesidade podem ser a origem de alterações nos valores de estrogénios, possivelmente mais altos que a média. O aumento dos níveis de estrogénios pode fazer com que o revestimento do endométrio se torne mais grosso e provoque uma suspensão da libertação do óvulo por parte dos ovários, razão pela qual as mulheres com sobrepeso tende a experimentar períodos densos, erráticos e prolongados.
Para além disso, a produção excessiva de estrogénios a longo prazo pode aumenta o risco de desenvolver cancro no endométrio. Perante a dúvida visite uma médica/um médico.  

#3 Peso corporal baixo
O outro lado da moeda é o baixo peso. Quando o corpo tem um peso inferior ao desejado (altura, idade…), não consegue produzir os valores de estrogénios suficientes para formar o revestimento do endométrio que depois produzirá o sangrado da fase menstrual, ou seja, a menstruação. Por isso podemos observar que algumas mulheres que perdem muito peso podem experimentar menstruações ligeiras, erráticas e inclusive a ausência da menstruação.

#4 Pesticidas
Várias notícias nos alertam dos perigos vários dos pesticidas presentes em vários alimentos, carnes, frutas e legumes. As investigações mais recentes afirmam que os pesticidas na verdade podem imitar as nossas hormonas e assim interferir e competir com a nossa produção hormonal o que provoca alterações do nosso sistema endócrino.

#5 Envelhecimento natural
A menopausa é uma fase do desenvolvimento da mulher que se assinala com o fim do Ciclo Menstrual. Mas a passagem da fase fértil para a fase da menopausa é progressiva, ou seja, conforme vai diminuindo a produção hormonal de estrogénios o nosso ciclo vai mudando também e nesta fase de transição a menstruação pode ser mais frequente (ciclos mais curtos) ou infrequente, assim como percebemos outros sinais do corpo que nos avisam que estamos a entrar em outro período da nossa vida.  

#6 Excesso de exercício
É provável que já tenham lido sobre bailarinas ou atletas profissionais que não menstruam, devido a uma doença chamada amenorreia e que afecta também a densidade óssea.
A prática de exercício severo e de um peso baixo pode interromper a produção de hormonas sexuais, provocar alterações no ciclo menstrual  e/ou amenorreia.
Se não menstruas lê o seguinte artigo»» O que fazer em caso de amenorreia?

#7 Falta de sono
As mulheres que têm horários de trabalho irregulares ou mudam de turnos constantemente têm uma probabilidade maior de sofrer alterações de sono/falta de sono o que pode provocar ciclos irregulares. Existem estudos (mas se observarmos o nosso corpo e aprendermos a sua linguagem não precisamos de estudos para nada) sobre o sono que mostram a relação entre o relógio biológico do corpo, as hormonas sexuais e os níveis de melatonina, os quais afectam a ovulação e a menstruação (também fica prometido um artigo para falar sobre este tema fundamental para a nossa saúde cíclica.).

#8 Medicamentos
Quando se sofre de uma doença auto-imune (como pode ser o lúpus) ou alguma infecção da glândula da tiróide, pode-se notar mudanças no ciclo menstrual por causa da medicação. Certos medicamentos afectam os níveis hormonais, por exemplo os antipsicóticos ou os esteróides, estes medicamentos podem provocar desequilíbrios das hormonas sexuais o que pode altear o ciclo e o seu ritmo habitual.

#9 Interrupção da pílula anticoncepcional
Quando se toma a pilula de forma correta a menstruação ocorre de forma bem regular. Porém, se depois de alguns anos de uso da pílula se resolve suspender a toma, é possível que o ciclo natural demore algum tempo para se normalizar e encontrar o seu novo ritmo.
Há mulheres que entram em amenorreia e ficam meses sem ovular após a interrupção da pílula. A menstruação irá retornar, basta ter paciência que o ciclo ovulatório irá se reorganizar naturalmente dentro de 3 a 6 meses mas podemos ajudar o nosso corpo a reencontrar-se com o seu ritmo através da fitoterapia, da homeopatia, da alimentação… Todavia, é bom ressaltar que toda mulher com mais de 3 meses de ausência de menstruação deve procurar orientação do/da seu/sua ginecologista ou outro/a terapeuta.
NOTA: A amenorreia pós-anticoncepcional pode ocorrer em todas as formas de administração, seja implante, injeção ou comprimidos

#10 Amamentação
Se acabaram de ter um filho e estão a amamentando, não esperem pela vossa menstruação no próximo mês. A amamentação, na verdade, não provoca atraso menstrual, mas sim uma amenorreia transitória por inibição da ovulação, causada pelas hormonas responsáveis pela produção de leite materno. Em geral, a menstruação retorna assim que o processo de desmame se inicia.

#11 Ovários poliquísticos
Mulheres com SOP (síndrome dos ovários poliquísticos) apresentam frequentemente menstruação irregular, por produzirem androgénios (hormônios masculinos) em excesso. Atrasos menstruais e ausência completa de menstruação em um determinado mês são muito comuns nestas mulheres. Mulheres com SOP frequentemente apresentam excesso de peso, o que, como já vimos, também colabora para os atrasos menstruais.

#12 Início recente do ciclo menstrual
Se a menarca (primeira menstruação) ocorreu há poucos tempo, é normal que o ciclo seja “irregular” nos primeiros anos. Alterações menstruais podem ocorrer até nos dois primeiros anos de menstruação e ocorrem porque o sistema reprodutor feminino ainda está em fase de amadurecimento. Portanto, atraso menstrual nesta fase é extremamente comum.


Ufa, desceu. 
Mas a cor está esquisita... Saibam o que cada tonalidade significa

E aqui esta a minha lista de situações em que podemos observar atrasos, alterações ou ausência do nosso ciclo menstrual.  Mas não se esqueçam cada mulher é única, o ciclo menstrual de cada uma tem a sua própria personalidade. 

E se chegaram até ao final deste post não se vão embora sem deixar um comentário e contar a vossa experiência cíclica.

Um abraço,

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O #CicloMenstrual como Ferramenta de #Autoconhecimento e #AutocuidadoExtremo

Pode parecer estranho que um processo fisiológico do nosso corpo seja uma ferramenta para o Autoconhecimento e um caminho de Autocuidado Extremo mas de facto o mundo actual leva as mulheres a funcionar como homens, sem qualquer respeito pelo seu Ciclo Menstrual e ocultando-o como um tabu. Hoje sabemos que ter consciência de cada uma das fases do nosso Ciclo nos proporciona elementos para o trabalho interior e nos conecta com uma sabedoria intuitiva. E nos proporciona elementos para o nosso autocuidado e para cuidar da nossa saúde ginecológica e emocional/mental.

Historicamente, a menstruação tem sido vista como algo negativo, algo caótico, um signo de doença. O Ciclo Menstrual, principalmente a menstruação como manifestação física deste, tem sido e ainda continua a ser objecto de tabu social. Quer se queira quer não, isto causa uma desordem na nossa mente, na nossa maneira de olharmos para o nosso corpomente e do aceitarmos. Muitas vezes levando-nos a um descontentamento face ao nosso corpomente e este acto de descontentamento face a nós mesmas gera o afastamento da nossa capacidade intuitiva de sentir o nosso corpomente e saber cuidar dele. Dar-lhe o espaço, o tempo e a voz que ele necessita a cada momento.

As mulheres lutamos por encaixar na estrutura da sociedade moderna e para tal sacrificamos a nossa saúde, as nossas relações e a nossa sensibilidade com o único objectivo de encaixar e ser aceites… conseguir um espaço e não parecer débeis, assumir características lineares e do masculino patriarcal. Todo este esforço leva-nos a desconhecer o nosso corpomente e a detesta-lo porque não cumpre os requisitos exigidos pela cultura patriarcal.

Nesta necessidade de sermos iguais aos homens, terminamos por fazer, demasiadas vezes, caso omisso ao nosso corpomente e ao seu ciclo natural, até podemos chegar a falar de nós mesmas com descontentamento pela inconsistência das nossas emoções.
Para o mundo moderno, a constante mudança do nosso temperamento pode parecer algo pouco fiável. As nossas adolescentes continuam a conhecer pouco sobre o seu ciclo menstrual e algumas até o desprezam mas como podemos mudar esta atitude de descontentamento sobre algo tão importante como o nosso Ciclo Menstrual nas novas gerações?

Na minha opinião, trabalhando conscientemente no que diz respeito ao que verdadeiramente pressupõe o Ciclo Menstrual e especialmente a Menstruação a nível fisiológico, emocional e cultural.

As mulheres estamos in-formadas com base na natureza e na sabedoria intuitiva. A intuição transcende a razão é a voz do nosso corpo, que somos nós.  Seguimos o ciclo lunar, e em cada fase ocorrem coisas maravilhosas a nível físico, mental e emocional, se conseguíssemos conhecer-nos e deixar de estar nas mãos da indústria farmacêutica, das empresas de pensos higiénicos que coagulam o nosso ciclo e de tantas outras coisas que nos obrigam a ficar pequeninas, submetidas, impotentes, paralisadas por medos em nome de uma segurança fictícia, em nome de uma alegria artificial que nos afasta da liberdade que tanto desejamos.

Quando uma mulher reconhece e respeita o seu próprio relógio interior… começa um caminho de auto-valorização que a ajuda ao autoconhecimento e no seu autocuidado.
Entre os benéficos da menstruação consciente, que muitas mulheres hoje sentimos e agradecemos, está o autoconhecimento quer fisiológico quer emocional de nós mesmas. Este conhecimento leva-nos a abandonar a posição do “Não me preocupo nem penso nisso para isso já estão os médicos…” e tomar a posição do “Preocupo-me… E penso nisto…” abrindo o horizonte de opções ente o corpomente vivido e o corpomente anulado.

É muito importante reconhecer que durante todo o ciclo transitamos entre vibrações diferentes mas mais importante é o valorar e o investigar estas mudanças cíclicas. O corpo, os pensamentos e as emoções, a conexão com os outros tudo muda fase a fase… este permutar constante de vibrações faz com que as frequências no nosso cérebro também se alterem… e possamos ter várias capacidades em cada fase do ciclo. Por exemplo a fase da menstruação é óptima para a reflexão. Se conseguimos aproveitar as potencialidades desta fase e passarmos o tempo menstrual reduzindo o stress, a agitação exterior…, podemos aceder a compreender a vida desde outra perspectiva (renovada) e ganhar força para mais um round. Se (re)conhecermos as nossas potencialidades menstruais e as aceitarmos obteremos uma amplitude mental, clareza nas nossas acções, intuição certeira e refinada…, atenção interior. Isto é alcançado através da vivência consciente das diferentes fases do Ciclo Menstrual.

Por isso quanto mais atentas nós estivermos, a como vemos e sentimos o mundo, as relações, e a nós mesmas durante cada fase do Ciclo e especialmente na pré-menstrual e menstrual…, mais ferramentas vamos ter para saber como estamos, o que devemos fazer e como continuar.

O conhecimento que o Ciclo Menstrual nos aporta sobre nós mesmas é muito rico quando o recebemos como um conhecimento orientador… Pois o verdadeiro conhecimento, a consciência real, o verdadeiro trabalho nasce do Autoconhecimento… Este leva-nos a libertar a mente de condicionamentos, a conhecer as nossas mentiras e saber que assim como a menstruação depura o nosso corpo, também a nível mental e emocional acontece o mesmo…

É por isso que temos que prestar atenção a como nos vemos a nós mesmas, a como percepcionamos o mundo, as nossas relações, o nosso trabalho e tudo o que nos rodeia, pois tudo é influenciado por nós e nós mesmas somos influenciadas por tudo… A realidade é um espelho daquilo que nos acontece mental e emocionalmente… Na fase pré-menstrual e menstrual o véu cai e vemos tudo com claridade. Ajudadas pela sensibilidade que esta a flor da pele para nos apercebermos de detalhes, das coisas como elas verdadeiramente são…, as vezes gostamos do que vemos e outras gostamos menos mas isto é bom desta historia é que podemos ver tudo com clareza para depois na fase pré-ovulatória e ovulatória agir com prontidão e acerto.

Mas cabe a cada uma de nós valorar esta maravilhosa oportunidade de ser Cíclica pois mais uma vez, conhecer o nosso corpo e questionar o nosso entorno são a chave.

 

Ciclicidade Consciente como Forma de vida

Respondendo as questões das Confreiras…

«No blog falas muito de ciclicidade e de que sermos conscientes desta nossa característica pode trazer-nos muitos benefícios físicos, mentais e emocionais mas mais concretamente o que é isso da Ciclicidade Consciente?» Cátia Vaz


 

Inerente a prática de uma Ciclicidad Consciente, e ao mais amplo conceito de Mindfulness (ou atenção plena) aplicada a vida diária, é a visão de mudança. A atenção plena lembra-nos que a mudança é possível, sem importar quem somos, qual seja o nosso aspecto ou a nossa situação actual. Lembra-nos que se somos capazes de apreender a “estar atentas”, a ser conscientes de esta possibilidade em todo momento então temos a oportunidade de orientar essa mudança para um estilo de vida mais saudável e feliz. Partindo deste princípio, criei o conceito de Ciclicidade Consciente para promover uma mudança, nas nossas vidas, em nós, baseada na nossa ciclicidade e nos nossos desejos mais autênticos, e não numa falsa linearidade ou num pensamento de hábito/costume.   

Será uma mudança que favorece a saúde física, mental e emocional e uma profunda sensação de aceitação de nós mesmas, ou seja, das 4 Capuchinhas que somos. É nisto que consiste viver ciclicamente conscientes e isto significa Autoconhecimento e Autocuidado Extremo para sempre.

Viver ciclicamente conscientes pressupõe sem dúvida uma nova maneira de vivermos, de conhecermos e cuidarmos do nosso corpomente e por outro lado é também, uma nova maneira de viver, de sentir, de ser.

Não é algo passageiro que adaptas para poder deixar dinamitar crenças que te magoam e limitam é mais uma maneira constante, prática e factível de nos amarmos e desfrutarmos de nós mesmas todos os dias. Aceitarmo-nos luminosas e escuras.

Em última estância é dizer adeus a viver uma falsa linearidade, predefinidas a uma irreal feminidade… dizer adeus a tabus e limites impostos e a pensar todo o tempo, sem parar, que não somos normais, que se passa algo connosco.

Contudo destacar, que na minha opinião, não há nada que nos salve de nós mesma e de tudo o que foi apreendido mas sem dúvida nenhuma conhecer o nosso corpo é uma porta, para mim valiosíssima, uma porta pela qual devemos passar. Não há salvação porque não há pecado.
Digo isto, porque não quero passar a ideia de que a Ciclicidade Consciente é o remédio para todos os males. Ou seja, conhecer como funcionamos cada uma de nós é uma ferramenta que depende do uso que lhe dermos e depende também de outras bagagens. Não é algo simples nem simplório. E não podemos esquecer que somos mulheres humanas e como mulheres humanas temos de (re)conhecer como pulsam as nossas ideias, como é a química que nos move e nos torna cíclicas. Contudo (re)conhecer a nossa natureza não nos torna invencíveis nem as melhores mulheres do mundo. Conhecer o nosso mecanismo de mulheres mesntruantes (cíclicas) é algo fundamental, necessário e não um caminho de auto-ajuda.



Eu sei, eu sei que conhecer o nosso corpomente, o seu mecanismo dá um pico de entusiasmo brutal e que este conhecimento a algumas de nós nos mudou a vida e a outras não, e não há problema nenhum que assim seja. O importante é que cada uma de nós seja lucidamente critica e faça uma revisão constante de tudo o que lhe chega.

É importante percebermos que o corpo feminino tem sido e continua a ser invadido pelo sistema e cultura patriarcal. Por isso é importante e poderoso conhecermos as implicações fisiológicas, mentais, anímicas e culturais de algo comum e próprio como é o fluxo hormonal do ciclo menstrual. Ser Ciclicamente Consciente é simplesmente isto, nem mais nem menos.

Tornar-nos conscientes da nossa ciclicidade e das suas implicações não implica que o dia-a-dia, com as suas dores, receios, medos, alegrias, prazeres desapareça. A nossa quotidianidade com tudo o que ela implica vai continuar a preencher-nos quer menstruemos ou não menstruemos.  Vamos ter mais controlo (as vezes), mais margem de acção (também as vezes), menos culpa, mais atrevimento, menos vergonha mas não vamos ser supermulheres vamos sim, continuar a ser humanas. E eu acho isso de ser mulher humana/mamífera delicioso, vocês não?

Não, não somos deusas, somos humanas e ainda bem!

Se tens questões e gostavas de as ver desenvolvidas num artigo da Confraria Vermelha podes envia-las para jardineriahumana@gmail.com

E tu esta disposta a viver ciclicamente? 

"Devo" ou "Não devo"



Já vos falei em outras entradas das 4 Capuchinhas que somos e de como elas são diferentes entre si, e de como elas se complementam e dão forma a mulher que somos. 4 em 1.  

Pois é, as 4 Capuchinhas têm privilégios diferentes na nossa sociedade/cultura. É inevitável. Socialmente há fases que estão mais aceites e inclusive promovidas do que outras, por isso nos sentimos mais confortáveis nas fases Pré-ovulatória e Ovulatória (a metade luminosa do ciclo) e desejamos ficar nelas sempre. Pois, geralmente, achamos que estar loquazes, energéticas, faladoras, sociais, bonitas e brilhantes é o nosso estado natural mas é mentira…. Quando tentamos reprimir as outras Capuchinhas (fases do ciclo) que também somos, só conseguimos frustração e mau humor.

Não é mau reconhecermos que nos é mais fácil estar nas fases “luminosas” mas a chave aqui é permitir-nos espaço e tempo para nos conhecermos, com mimo e curiosidade, nas fases menos familiares, menos luminosas. Talvez para algumas de vocês a Capuchinha da fase Pré-menstrual seja a que mais dificuldades coloque, principalmente para as que sois doces, atentas, mimosas e dispostas enquanto para outras a fase Ovulatória é a mais difícil, principalmente se somos mais solitárias, intelectuais e independentes. Cada uma de nós tem uma face solar (a que mais dominamos e que gostamos mais) e a face lunar (que gostamos menos e desconhecemos mais). Aqui o desafio é investigar este lado oculto para não sobrecarregar o lado que já conhecemos e aprender as outras potencialidades que temos e ignoramos, no livro “Por Trás da Capa Vermelha” falo mais detalhadamente das potencialidades das 4 Capuchinhas que Somos.

Tenho-me apercebido que este sentir-nos mais confortáveis na pele de umas Capuchinhas mais do que de outras também influencia a forma como cada Capuchinha se relaciona com a comida, ou seja como nós nos relacionamos com a comida em cada fase do Ciclo Menstrual. Passo a explicar a minha investigação/reflexão.

Quantas vezes já comeram algo pouco saudável (mas delicioso) porque disseram a vocês mesmas, “tu mereces” ou simplesmente para “mimar-te a ti mesma”? Pois é… temos o (péssimo[i]) hábito de usar a comida como prémio ou castigo.

Lembram-se quando foi a primeira vez que o fizeram? Ou, mais certeiramente, a primeira vez que “vos fizeram” isto? A primeira vez que a comida foi utilizada como prémio por terem feito algo bem ou como estimulo (leia-se suborno) para que cedêssemos a portar-nos bem numa determinada situação?

Não vou questionar este método de manipulação do comportamento e este post não se trata de culpar a algo ou a alguém pela nossa maneira de ser, mas sim, de investigar por que motivo fazemos as coisas.

Continuo com o meu questionamento.

O que é que acontece quando ocorre o contrário? Alguma vez não vos deixaram comer certos alimentos? Alguma vez vos disseram que não podiam comer algo que vocês gostavam como castigo? Talvez já vos obrigaram alguma vez a ficar sentadas na mesa e a acabar a vossa comida porque se portaram mal ou porque “há meninxs que passam fome no mundo”?

Estou certa que já se lembraram de várias situações, principalmente entre os 4 e os 6/8 anos… mas vamos avançar no tempo até a nossa idade actual.

E agora? Utilizam alguma vez a comida como forma de castigo ou prémio na vossa vida? Por vezes não vos permitis certos alimentos quando “se portam mal” como a vossa dieta[ii]? “Obrigam-se a vocês mesmas” a comer certos alimentos porque pensam que são os alimentos que precisam?

Estes comportamentos têm raízes muito profundas e não é necessário sermos psiquiatras para perceber que as implicações de vincular a comida com o comportamento têm um impacto duradouro na nossa vida e no que sentimos por nós próprias.

Tenho-me apercebido que uso este mecanismo de prémio ou castigo com as 4 Capuchinhas, ou seja, comigo. E sei que o que expus nas primeiras linhas, de me sentir, de nos sentirmos mais confortável com umas Capuchinhas do que com outras é parte da base de esse comportamento. Comecei a observar-me, a investigar-me e apercebi-me que sou uma mulher com duas faces, uma luminosa e outra escura e que no decorrer do Ciclo Menstrual estas duas se desdobram em quatro.

Nas fases luminosas do Ciclo Menstrual (Capuchinha Indomável e Capuchinha Sedutora)[iii] temos tendência a sentir-nos mas felizes, o mundo parece diferente, em sentido positivo. Vemos as mesmas situações como oportunidades e as mesmas pessoas (e possivelmente até nós mesmas) como raparigas boas. É Assim que nos é apresentado o mundo na fase luminosa do Ciclo, vemos o mundo através das “lentes da felicidade”. O mundo que nos rodeia não mudou tanto e, mesmo assim, a nossa experiência em relação com esse mundo é radicalmente diferente.

Nas fases escuras do Ciclo menstrual (Capuchinha Feiticeira e Capuchinha Vermelha)[iv] temos tendência a sentirmos furiosas, o mundo pode parecer-nos um lugar tremendamente ameaçados e certos alimentos podem parecer-nos uma alternativa bastante reconfortante ou uma feliz distracção. Neste particular estado do corpomente tendemos a ver certas situações como obstáculos e outras pessoas (e inclusive a nós mesmas) como raparigas más. É assim como nos é apresentado o mundo quando o olhamos através das “lentas da raiva”.

Estas duas formas de ver o mundo, de dividi-lo, estes hábitos de pensamento sobre mundo e do espaço que as 4 fases do Ciclo Menstrual devem ocupar nele (umas muitos, umas pouco e outras nada) estão intimamente relacionadas com os valores e com as apetências que a nossa cultura valoriza ou desvaloriza nos seres humanos e concretamente nas mulheres. No nosso caso, como mulheres cíclicas que somos, este muito, pouco ou nada, levando-nos a aceitar melhor as fases luminosas (activas) que as fases escuras (contemplativas) do nosso Ciclo menstrual.

Por exemplo, eu tenho a tendência a ser mais permissiva com a Capuchinha Feiticeira deixando-a fazer “mais asneiras” alimentares do que as outras Capuchinhas, talvez a minha permissividade seja para ela não ter “ataques de raiva”.
Quando evito (mesmo sem me aperceber) que ela se expresse através da sua linguagem própria (essa que me permiti ter a percepção afiada, ser capaz de perceber com pulcritude, com tanto atino e paixão), quando não lhe permito sentir determinadas emoções (as tais que geram comportamentos que a nossa cultura tenta esconder) estou simplesmente a evitar que ela faça (que eu faça) a sua síntese emocional e que use os Super Poderes de Mulher. Quando não usamos os nossos poderes estes se transformem em Síndrome Pré Menstrual, por exemplo.

É verdade que muitas de nós usamos o chocolate, os pastéis e os hidratos de carbono como calmantes na fase pré-menstrual e podemos justificar isso devido ao aumento do gasto energético basal que ocorre nos dias prévios a menstruação porque sobe a temperatura basal pela progesterona e há mais apetite. Mas a verdade é que habitualmente fazemos coisas sem ser conscientes dos pensamentos que nos conduzem a esse comportamento.

Pode ser que comam um chocolate especialmente na fase pré-menstrual e menstrual para vos ajudar a calmar a ansiedade. E se for chocolate preto que possui antioxidantes e aumenta os níveis de serotonina o que nos ajudam a melhorar o ânimo ainda melhor. Não tem mal nenhum em querer sentir-nos bem (pelo contrario o prazer e o bem-estar são um bem maior) o problema é quando não estamos simplesmente a satisfazer uma necessidade do nosso corpomente (que podíamos faze-lo com outros alimentos como bananas, batatas, gérmen de trigo, agriões, nozes, couves de bruxelas… e não apenas com chocolate, todos tem em comum a B6 que é a que acalma o sistema nervoso) queremos evitar sentir certas emoções e sensações como a raiva, a vulnerabilidade, a sensação de preguiça, queremos evitar estar no nosso lado escuro e ver o mundo a cru, como ele realmente é. E é aqui onde as “asneiras” alimentares durante a fase pré-menstrual são uma armadilha. Eu devia comer e gostar de comer chocolate porque me faz sentir bem e não para evitar ser quem sou porque a cultura não gosta da minha Capuchinha Feiticeira.

Por isso escrever sobre o bem-estar menstrual através da nutrição inclui falar não só dos alimentos adequados para viver um ciclo saudável e sem moléstias maiores, mas também de como ser conscientes da influência dos próprios pensamentos e crenças é importante já que a forma como comemos, pensamos e agimos durante todo o ciclo influência como vivemos os dias prévios a menstruação e a menstruação.

Quando me apercebi do meu comportamento com a comida e de como ele era diferente em cada fase do Ciclo Menstrual apercebi-me também de como a tentação está em tentar romper os hábitos, resistir ao impulso de actuar dessa maneira ou convencermo-nos a nós mesmas de que devíamos comportar-nos assim ou assado (mas nunca como realmente somos em cada fase hormonal).

“Romper, Resistir, Convencer”. Ufff! Não tem bom ar este lema! Não parece uma boa receita para a paz mental, pois não?
4 mulheres a habitar o nosso corpomente, cada uma delas com os seus próprios “devo” ou “não devo” comer isto ou aquilo. Cada uma com os seus próprios desejos… Que confusão!!!!  Não se trata disso… conhecer as 4 Capuchinhas não passa por ai.  

Pensem nisto: o corpomente que diz “devo” é o mesmo que diz “não devo”. Só há um corpomente[v], não há dois. Por isso como pode esta situação terminar de forma pacífica?

Para além da simples loucura que é discutir com nós mesmas com esta atitude umas Capuchinhas tinham de ganhar e outras que perder. Isto significa que uma parte de nós deve ser rejeitada, ignorada ou suprimida enquanto a outra parte (capuchinhas) nos faz sentir bem e gostamos de a mostrar. Mas o que realmente acontece desta maneira é que nenhuma ganha e só conseguimos gestar uma intensa discussão interna sobre o que esta bem e o que esta mal.

Comer de forma consciente e entender que nos relacionamos com a comida de forma cíclica é uma técnica/ferramenta única.

Não se trata de falar com nós mesmas nem de ter um pensamento positivo nem de silenciar a vozinha interna que não nos larga. Ensina-nos a distanciar-nos do “devo” e do “não devo” na mesma medida, permitindo-nos ver com claridade a dinâmica que ocorre no nosso corpomente. E contemplar o nosso corpomente dessa maneira permite-nos ser testemunhas das sensações que experimentamos (em cada fase do Ciclo Menstrual) em vez de sermos reféns delas.

É como se tivéssemos a capacidade de responder desde uma posição de hábil intenção em vez de reagir desde a posição de confusão ou frustração. Volto a relembrar:

A verdade é que habitualmente fazemos coisas
sem ser conscientes dos pensamentos
que nos conduzem a esse comportamento.

Depois de perceber quais os comportamentos que estamos a punir ou a privilegiar (de cada uma das 4 Capuchinhas) podemos passar a etapa seguinte: investigar sobre as nossas necessidades nutricionais nas diferentes etapas do Ciclo Menstrual. Mas isto fica para outro post ou para o Atelier Mulheres, Comida e Cuidados.

Não te vás embora sem deixar o teu comentário e nos contar como se relacionam as tuas 4 Capuchinhas com a comida. 





[i] Ou não… que sei eu!
[ii] Quando menciono a palavra dieta não me refiro a dietas de emagrecimento e sim a nossa dieta alimentar. A forma como nos nutrimos.  
[iii] Fase pré-ovulatória e ovulatória
[iv] Fase pré-menstrual e menstrual
[v] É verdade, que habitam 4 mulheres em nós e que são diferentes entre si mas por muito diferente que sejam todas têm o mesmo objectivo. Sim, é verdade! Todas querem gozar e sentir-se bem consigo mesma. O nosso corpomente vai mudando para isso mesmo, para encontrar a forma de viver de forma favorável as 4 juntas. 

As emoções da minha Ciclicidade: Sensação de Preguiça

A transição da fase ovulatória para a fase pré-menstrual é acompanhada pela sensação de Preguiça da minha Capuchinha Feiticeira



Reconheço-me como uma pessoa produtiva, eficiente e centrada. Por natureza tenho sempre um monte de energia e entusiasmo desenfreado (e positivo) pela vida. Mas estas características tiram sempre uns de dias de férias em cada Ciclo Menstrual, e quando vão de férias surpreendo-me a mim mesma pensando:

“Hoje não me apetece cozinhar”, “Amanhã lavo esta loiça”, “Mais logo termino o post para o blog”, “Esta tarde não me apetece falar com ninguém, vou tirar o som ao tlm”, “”São todos uns parvos”.

Todos estes pensamentos não fazem de mim uma má pessoa[i] nem uma pessoa preguiçosa. De facto, só mostram que sou uma pessoa normal. Dito isto, os momentos de preguiça ou indiferença face ao movimentado mundo, por si sós não são um problema e, ao fim de contas, são uma sensação totalmente normal do meu corpo cíclico. O que realmente é um problema é a forma de me relacionar (de nos relacionarmos) com esta sensação.

Porque se reagirmos como uma atitude automática do tipo: “não importa, não te preocupes” então as nossas escolhas face ao que sentimos (face a nossa vontade e desejos + íntimos/próprios) vai reflectir este sentimento de sermos preguiçosas. Mas se estas sensações têm uma relação com o nosso corpo, certamente que são importantes para nós, que nos preocupam e não nos conformamos com qualquer coisa ou contrariaríamos os nossos desejos agindo de forma automática.

E é neste ponto que eu deito mão do mindfulness[ii]. Tento reconhecer a sensação de preguiça ou indiferença em vez de me identificar intensamente com a sensação de que sou uma preguiçosa ou indiferente e então tenho a oportunidade de responder com uma sensação de calma aos meus desejos.
Assim percebo que essa sensação de preguiça é o meu corpo a responder as mudanças hormonais[iii] que nele operam neste momento do Ciclo Menstrual e que pedem para abrandar o ritmo, para abrir espaço, tempo e confiança ao meu corpo e aos seus desejos próprios. Este abrir espaço, tempo e confiança para o meu corpo “preguiçar” não é fácil numa sociedade como a nossa que sempre esta desperta, activa e produtiva aqui surge sempre um choque de desejos: de um lado esta o que eu (o meu corpo) deseja e do outro o que a sociedade/cultura quere que eu (o meu corpo) deseje. Antes de desesperar com este choque de desejos[iv], lembro-me destas palavras da Clarrise Pinkola Estés:

“Ser nós mesmos provoca que sejamos exilados por muitos outros.
Embora, cumprir com o que outros querem faça com que fiquemos exilados de nós mesmos ”.

E assim com esta frase a fluir na minha mente criei uma Lista de «Estratégias Para Preguiçar» sem culpa. Uma lista para me ajudar dar espaço, tempo e confiança aos meus desejos, ao meu corpo, a preguiça da minha Capuchinha Feiticeira[v] (que mais não é que a minha necessidade de descanso, de tempo próprio e de descer o ritmo na fase pré-menstrual do nosso Ciclo Menstrual).

Estratégia #1 – Acredito na voz das minhas entranhas (adoro a palavra entranhas)
Tudo o que sinto é real. Real para mim. Para quem se não?! A minha intuição é sagrada, é a bússola que dá sentido ao meu mundo e a mim no mundo.
Estratégia #2 – Dizer o que sinto
Não é necessário argumentar esta estratégia, pois não?! Todas sabemos o quanto é libertador dizer o que se sente, certo?!? Não é fácil mas vale a pena tentar.
Estratégia #3 – Respeitar os meus limites e viver a minha preguiça sem culpa
Amar-nos inclui amar os limites e respeita-los. Não respeita-los pode levar-nos a situações catastróficas, como doenças, depressão, insatisfação. Respeitar os nossos limites e erradicar a culpa face as nossas necessidades físicas, emocionais e psíquicas na fase pré-menstrual é destruir a ideia nociva de que o Ciclo Menstrual faz de nós seres débeis, que uma vez por mês se tornam frágeis e que necessitam que cuidem deles (que a ciência com os seus medicamentos nos trate). Alimentar esta ideia desrespeitando os nossos limites e alimentando sentimentos de culpa é perpetuar a descriminação sobre a nossa fisionomia e as nossas capacidades.
Estratégia#4 – O meu desejo é sagrado
A voz do meu desejo é a voz da vida no meu corpo de mulher.
Estratégia #5 – Celebro a diferença
Somos todos diferentes. Querer homogeneizar é o que nos leva a dolorosas amputações físicas, emocionais e psíquicas para tentar encaixar num molde no qual nunca vamos encaixar. No que diz respeito a Ciclicidade, cada mulher tem a sua própria, temos parâmetros de orientação mas são isso, orientações. Não há nada de errado que o teu Ciclo não tenha 28 dias e que o teu sangue tenha uma cor diferente ao da tua amiga cada uma tem a sua própria linguagem, o seu próprio ritmo.
Estratégia #6 – Ficar no meu quarto próprio e fazer a minha síntese emocional.
Escrevi sobre esta estratégia neste POST

Adoro fazer listas, criar jogos e ferramentas para viver a minha ciclicidade mas gosto mais ainda de poder partilha-la convosco, e vou partilhar mais listas, jogos e ferramentas na próxima Oficina do ‘Ciclo Compreendo o Meu Ciclo, Vivo a minha Lua’, estão convidadas! 

Queres descobrir outras emoções e a sua expressão cíclica? 
Aqui tens os outros post da “Emoções e Ciclicidade”.

  1. As emoções da minha ciclicidade: Calma Menstrual »»Ler
  2. As emoções da minha ciclicidade: O que sentes neste preciso momento? »» Ler 



Ilustração Ann Lee


[i] A bruxa má de todas as histórias.
[ii] De forma sucinta Mindfulness significa prestar atenção a um determinado objecto, com intenção, no momento presente e de uma forma não qualitativa
[iii] Pere Estupinyà no seu livro S=EX2 explica o seguinte: «As hormonas do sistema endócrino são mensageiras com a função de manter o equilíbrio interno, regular das funções básicas e fazer que responda quer do interior quer do exterior. As hormonas e o comportamento andam de mãos dadas. (…) As hormonas são a linguagem interna do corpo. (…) As hormonas e o comportamento estão intimamente relacionados, e por isso vale a pena conhece-los.»
Animas-te? Vamos investigar sobre elas no ‘CicloCompreendo o Meu Ciclo, Vivo a Minha Lua’ 
[iv] Algo simples como a gestão das nossas necessidades, das nossas emoções e sensações é o que pode desencadear mal-estar e até certas patologias. Esta gestão tem uma componente cultural na medida em que se aprende e em menor medida uma componente biológica. Ou seja A cultura ensina-nos ferramentas para fazer esta gestão (férias 1 vez por ano, descanso semanal ao fim-de-semana…) mas serão as adequadas para o nosso corpo cíclico? Ou estarão em equilíbrio com as componentes biológicas? Os estrógenos ajudam-nos a manter uma atitude forte, dinâmica e resolutiva perante as situações de stress mas em oposição os progestógenos nos dispõem para estar mais permeáveis perante qualquer acontecimento. Por isso após a ovulação até a menstruação (especialmente 2 dias antes de menstruar) qualquer detalhe pode afectar-nos, angustiar-nos e doer.
[v] Forma como chamo a mulher que sou na minha fase pré-menstrual, podes conhecer todas as Capuchinhas (no mínimo 4) que habitam em mim (e em ti) no Livro “Por Trás da Capa Vermelha”