Sexo durante a menstruação sim e não

Respondendo às questões das Confreiras:
Tem problema fazer sexo menstruada?
Faz mal para a saúde? Há risco de engravidar?
Filipa
____________________

Sexo e menstruação são dois assuntos que ainda despertam muitas dúvidas nas mulheres, o que faz com que muita gente fique sem saber como agir, especialmente na hora em que os dois são colocados “juntos”.
Esta questão é uma questão recorrente, muitas de nós já nos questionamos sobre ter ou não ter relações sexuais durante a menstruação. De certeza que muitas de vocês já leram artigos escritos por médicxs e sexólogxs que dizem que é uma prática normal e saudável mas mesmo assim continuamos com dúvidas sobre a higiene, o prazer, o sangue e as energias etc.

Na verdade, não podemos negar que o sexo ainda tem uma aura de tabu, a menstruação ainda é um tabu, e se juntamos 1+1  temos:

sexo durante a menstruação um tabu2

Por isso espero que este post seja útil e sirva como orientação para que tomes as tuas próprias decisões sobre sexo durante a menstruação.



Uma questão de higiene
Um dos pontos que sempre nos preocupa no que diz respeito ao sexo durante a menstruação é a higiene. Algumas mulheres mencionam que sentem uma enorme preocupação de “sujar” tudo, vamos reflectir (e ser sinceras) um pouco:
- Quando pensamos em “sujar” tudo, estamos a visualizar uma relação sexual coital, ou seja com penetração, certo?
 - Estamos a imaginar, acima de tudo, que vamos “manchar” o companheiro, certo?
Agora vamos ver a realidade:
- O sexo não é sinónimo de penetração, existem diversas práticas sexuais que não incluem o coito.
- A penetração não implica sempre um pénis. Podemos, por exemplo, recorrer a brinquedos sexuais.
Por isso para destruir o fantasma “vou ‘sujar’ tudo” temos de abrir a mente:
- Se alargarmos os nossos conceitos de prática sexual encontraremos a forma de disfrutar do sexo durante a menstruação.
- Se abandonarmos a ideia falocêntrica e genital da prática sexual encontraremos formas de dar forma ao nosso desejo, caminhos que nos conduzam ao orgasmo terapêutico que nos permite libertar a energia e a tensão acumulada assim como relaxar e mimar o nosso útero com doces cocktails hormonais.

Não há mesmo riscos de praticar sexo durante a menstruação?
Esta é outra das questões que pairam no nosso cérebro quando nos colocamos a questão de praticar sexo durante a menstruação.
Para responder a esta questão temos primeiro que esclarecer de que riscos estamos falamos:
de uma gravidez indesejada
ou
de infecções e doenças sexualmente transmissíveis (DST)?

Se falarmos das DST o risco existe por duas razões: primeiro, o sangue serve como veículo para vírus e bactérias, assim como o líquido seminal, segundo durante a menstruação o colo do útero esta aberto para permitir o descenso do fluxo menstrual e o pH vaginal é menos ácido o facilita a probabilidade que alguma infecção atravesse pela cavidade pélvica. 

No que diz respeito a gravidez o tema não é assim tão linear, a fase menstrual pode ser uma fase relativamente infértil, ou seja, há muitas variáveis que deveríamos ter em conta, principalmente os ciclos curtos, para podermos avaliar se a nossa fase menstrual é ou não fértil. Neste ponto aconselho-te a investigares os Métodos de Contracepção Natural. Se não dominas os Métodos de Reconhecimento da Fertilidade (MRF) o único conselho possível se decides ter relações sexuais com penetração durante o período e queres evitar uma gravidez é usares um método contraceptivo de barreira, como o preservativo.

Prazer e libido durante a menstruação
Este é outro ponto sobre o qual nos questionamos. Quando pensamos nesta fase do ciclo olhamos para ela como uma fase introspectiva. Eu, por exemplo, durante esta etapa prefiro estar sozinha, evitar o bulício social mas isto não quer dizer que a minha libido desça necessariamente e estou certa que não sou a única a quem isto acontece. Para além de satisfazer o desejo, no sexo durante a menstruação encontro alivio para as cólicas menstruais. Muitas amigas já me confessaram que os orgasmos durante o período são os melhores. Isto pode ter a sua razão de ser, no movimento uterino associado a excitação sexual e a libertação de prostaglandinas num momento de tensão e neste caso de congestão da zona pélvica. Por outro lado a vagina fica mais lubrificada, o que facilita muito a penetração. Outra coisa que facilita o momento de alcançar o orgasmo, é o facto do fluxo de sangue aumentar na região do clitóris, o que o deixa muito mais sensível, por isso o orgasmo menstrual pode ser vivenciado como uma experiência intensa, íntima e terapêutica. Mas pode perfeitamente haver mulheres que estão muito mais sensíveis e que sentem desconfortos muito fortes, sentindo-se desde o início da relação incomodadas. Sentindo-se inchadas, com o humor alterado, e isso prejudica a libido. Por isso, acabam sentindo menos prazer e estando menos à vontade, para praticar sexo. Seja como for o ideal é que cada uma ouça e observe o seu corpo e aprender identificar o que é mais confortável e prazeroso para si mesma a todos os níveis nos diferentes momentos do ciclo menstrual e da vida. Quando sabemos o que queremos e o que gostamos, e estamos em sintonia com quem partilhamos a nossa vida sexual, provavelmente vamos viver experiências plenas e prazerosas durante a menstruação e sempre.  

Sexo sem resquícios de sangue
Por vezes depois da penetração, não aparece nenhum resquício de sangue no preservativo ou na região e tu, estranhas que não apareça nem uma gota de sangue! É pura coincidência com o relógio biológico. A menstruação não tem um fluxo contínuo. É uma descamação no útero que acontece ao longo do dia, espaçadamente. O útero enche e, depois de algumas contracções, descama e libera o sangue menstrual. Mas isso não acontece o tempo inteiro, há intervalos. Se, por acaso, a relação for num intervalo no qual o útero não está cheio, não vai deixar nenhum resquício de sangue. Por outro lado pode acontecer exactamente o oposto, o aumento do fluxo do sangue. Algumas mulheres comentam que o fluxo de sangue aumenta durante o acto sexual, e é verdade. Isso pode acontecer porque o orgasmo provoca contracções no útero, que é, justamente, o que estimula a descamação do órgão e o consequente sangramento.

A menstruação e a espiritualidade
Algumas mulheres, que trabalham/vivenciam os seus ciclos de uma forma espiritual questionam-se se nesta fase devem abrir-se ao sexo ou não. A verdade é que as opiniões são várias, há posicionamentos que dizem que nesta etapa do ciclo a mulher deve ser mais cuidadosa nas suas práticas sexuais porque esta “aberta” a outras energias. Também há quem mencione que a mulher deve guardar estes dias para a purificação… enfim podemos encontrar vários posicionamentos mas cada uma de nós deve encontrar o seu sentir neste campo.

Cada uma de nós tem a sua própria verdade e a sua forma única de expressar a libido nas 4 fases hormonais que desenham o ciclo menstrual. “Por Trás (de tua cada) da Capa Vermelha” (título do programa de autoconhecimento menstrual) há uma mulher diferente. Como é tua? Gosta de sexo durante a menstruação? Como se expressa ela nesta fase do ciclo? Podes partilhar connosco a tua experiência logo aqui em baixo aqui nos comentários?

Porque é que o meu Ciclo Menstrual é Irregular?

Respondendo às questões das Confreiras:
Sou muito irregular, o que será que altera o meu Ciclo Menstrual?
Abraço Mariana
____________________

Cada uma de nós é diferente. O teu corpo (tu) é único. A tua composição celular e a tua espiral de ADN não é igual a minha, nem a da tua melhor amiga. Isto parece óbvio, mas esquecemo-nos com muita facilidade desta obviedade quando tentamos conhecer o nosso corpo e temos a tendência automática de nos agarramos a padrões científicos e médicos que nos dizem como é habitar um corpo “normal” (estândar). Não é só dizer que cada uma é diferente da outra, temos mesmo que acreditar NÃO HÁ CORPOS NORMAIS. HÁ CORPOS ÚNICOS.
Claro que há pautas que nos ajudam a identificar patologias mas são apenas isso, pautas. Pautas de orientação que oscilam e têm a influência de várias variáveis. A tua menstruação, na verdade todo o teu ciclo menstrual, têm o seu próprio padrão.

Por isso para responder a questão da Mariana não vou falar de um Ciclo Menstrual normal e sim das pautas para orientar o Ciclo Menstrual.

Num Ciclo Menstrual saudável os níveis baixos das hormonas de estrogénio e progesterona activam o hipotálamo e a glândula pituitária, para estimular trabalho dos ovários. Quando o estrogénio se eleva, o que estimula é o folículo para nutrir o óvulo que se esta a desenvolver preparando-se para a ovulação. Quando se produz a ovulação, o folículo continua a produzir progesterona, que faz com que o endométrio cresça e se nutra para receber o ovulo fecundado. Quando isto não acontece, as hormonas descendem novamente, o endométrio se desfaz e o hipotálamo e a hipófise são novamente estimuladas para que produzam hormonas suficientes para iniciar o ciclo seguinte e assim sucessivamente.

E é este baile que as nossas hormonas bailam em cada ciclo, vão descendo e subindo para que possa ocorrer a reprodução. As nossas hormonas têm um trabalho complexo mas são flexíveis com os nossos estilos de vida modernos mas as vezes, não conseguem adaptar-se ao ritmo que lhes queremos impor e podem surgir alterações ou mesmo doenças.

Existem vários factores que podem interferir no baile das nossas hormonas e alterar assim o ritmo do nosso ciclo menstrual: O ambiente contaminado, aumento de peso, peso abaixo da média, exercício extremo, fármacos/drogas, a mudança dos ritmos circadianos da mulher.

A obesidade
A obesidade pode afectar o ciclo menstrual na conversão das hormonas suprarenais em estrogénios. O fluxo constante de estrogénios pode variar os ciclos ováricos subindo e descendo. Isto pode desencadear um sangramento irregular durante longos períodos de tempo, ou pior, um aumento de estimulação da mucosa uterina que pode transformar-se em pré-cancerosos. Peso abaixo do que é saudável para o teu corpo altera igualmente prejudicial para a saúde do teu ciclo menstrual.

Exercício extremo
Realiza exercício extremo, como por exemplo, correr muitos quilómetros ao dia ou participar em treino extremo com muita frequência, diminui os níveis hormonais, especialmente a progesterona alterando o complexo baile das hormonas e fazendo com a ovulação se torne irregular. A menstruação pode torna-se irregular ou haver amenorreia.

Fármacos
Os fármacos podem alterar o ciclo hormonal. Existem medicamentos para a tiróide, por exemplo, os esteróides podem alterar a função hormonal. A pílula contraceptiva tomada por anos consecutivos também podem altera por completo o funcionamento das hormonas do ciclo menstrual podendo causar infertilidade.

Transtornos dos ritmos Circadianos
Hoje no nosso dia-a-dia existem varias actividade e entretenimentos durante a noite, ver tv, espectáculos, jantares de amigos, discotecas…. Inclusive trabalhos nocturnos. Todos estes momentos de ócio como de trabalho alteram os nossos ritmos circadianos. Os ritmos circadianos quer na mulher quer nos homens afectam a actividade das nossas hormonas. No caso do ciclo menstrual temos que ter em conta que o ciclo menstrual segue os meses lunares. Incluído a nossa glândulas pineal, que produz a melatonina para dar pigmento esta relaciona com o ciclo da vida na noite e no dia.


Gostavas de conhecer mais o teu Ciclo Menstrual e perceber qual é o seu ritmo próprio, este é o caminho.

Durante a menstruação vou mais vezes a casa de banho e tu?

Respondendo às questões das Confreiras:
Normalmente o meu intestino é preguiçoso mas geralmente durante a menstruação trabalha mais e inclusive tenho cólicas e por vezes tenho que ir a correr para a casa de banho é normal? Porque é que acontece isso durante a menstruação? Deve-se algum desequilíbrio hormonal?
Bj Ana
________________________________

Bem vou escrever este post quando faltam poucos dias para a minha menstruação e a mim também me acontece o mesmo que a Confreira Ana que enviou a questão. Para escrever este post pesquisei um pouco mais sobre as prostaglandinas e sobre efeito que estas têm no meu corpo (e no teu) durante a menstruação.

E porque é que pesquisei sobre as prostaglandinas e não sobre outra coisa qualquer para responder a questão da Ana?
É simples, quando estou quase, quase a menstruar ou quando estou menstruada, tal e qual como a Ana, os meus intestinos trabalham de outra forma, num outro ritmo. Estou certa que a ti também te acontece… nunca te aconteceu que quando tens o período de repente tens umas cólicas e precisas de ir rapidamente a casa de banho? Não notas que durante a fase menstrual os teus intestinos trabalham mais do que é habitual? Acho que isto acontece-nos a muitas de nós! E é normal!

Tal como a Ana, tenho uma tendência para um intestino lento e durante a menstruação ele altera o seu ritmo, comecei a pesquisar e descobrir que é NORMAL, ou seja, o meu corpo (e o teu) não é nenhum bicho raro. E a razão encontra-se nas hormonas que mencionei nas primeiras linhas para ser mais rigorosa, esta alteração no ritmo intestinal esta relacionada com duas hormonas: as prostaglandinas e a progesterona.

Mas o que são as prostaglandinas e como é que estas junto com a progesterona influência o nosso intestino durante a fase menstrual?

As prostaglandinas (PGs) são lípidos formados a partir de um ácido gordo, o ácido araquidónico que se obtém da carne ou os seus percussores. A síntese da PGs realiza-se através da conhecida via COX (cicloxigenase). Actuam como hormonas e paracrinas, ou seja, exercem um efeito sobre as células que as originam e as adjacentes.
O nome prostaglandina deriva de próstata, pois quando as prostaglandinas foram isoladas pela primeira vez foi do sémen em 1935 pelo fisiologista sueco Ulf von Euler.
As PGs têm um metabolismo muito curto por isso o seu estudo tem sido difícil, por isso os dados que se conhecem sobre os seus efeitos e acções tem a sua base em experiências experimentais. 

Uma vez esclarecidas sobre o que são as prostaglandinas e que estas não só influenciam as células que as originam mas também as que estão próximas delas… podemos continuar a questionar-nos: Mas o que é que elas fazem concretamente?

Pois muito bem, as acções das PGs, como consequência da sua união a um receptor determinado, podem ser muito diferentes. Desde a inibição da agregação plaquetária, efeito vasodilatador no sistema circulatório, regulação da secreção e motilidade do aparelho intestinal e respiratório, contracção uterina, ovulação, mediador dos processos inflamatórios, febre, participar do processo imunitário, etc.

Não sei se se aperceberam mas entre os efeitos por consequência mencionei intestinos e útero, começam já a intuir a relação?
Então muito bem: - Durante o ciclo menstrual, e por diferentes influências hormonais (progesterona, estrógenos, LH…) os níveis dos diferentes tipos de PGs aumentam e/ou diminuem no decorrer das fases do ciclo favorecendo diferentes acções, entre elas destaco as seguintes:

Rompimento do folículo ovárico[i]
Luteólise, regressão do corpo lúteo[ii]

Os níveis de PGs aumentam de forma significativa durante a menstruação e têm os seguintes efeitos sobre o endométrio:

Vasoconstrição dos vasos que irrigam a capa da mucosa uterina
Extravasão do sangue ao espaço vascular formando zonas hemorrágicas
Necrose do tecido endometrial
Contracções uterinas
Ao estar implicadas com a contratilidade uterina e com o controlo da hemostasia acredita-se que são responsáveis pelas dismenorreias[iii]

As prostaglandinas são responsáveis pelas contracções uterinas e relembrando que elas não são apenas responsáveis pelas células onde se produzem mas também as que estão próximas, podemos resolver a charada, o que é que esta perto do útero?
Os intestinos. Logo estes veem-se beneficiados pela acção das prostaglandinas, ou seja, ao igual que elas contraem o útero, contraem o intestino. E as contracções intestinais , levam-nos a ter mais vontade de ir a casa de banho.

No início do post mencionei que junto com as prostaglandinas a progesterona também tem a sua cota de responsabilidade na função extra que os intestinos têm durante a menstruação, isto porque a progesterona é um pouquinho adstringente e os seus níveis se reduzem durante a menstruação, juntamos as duas coisa e temos o nosso mistério desvendado.
           
Um último apontamento o efeito intestinal extra na fase menstrual do ciclo, que as prostaglandinas e a progesterona nos proporcionam pode ser menor em quem usa contraceptivos hormonais. 

Com este mistério desvendado acho que podemos concluir que o nosso corpo é infinitamente sábio, se a fase menstrual é uma fase de limpeza e renovação nada como uma ajuda do intestino!!! :) 

 


[i] Estrutura que acolhe o óvulo no ovário
[ii] Estrutura de vestígio do corpo folicular depois da ovulação

Amamentação e Ciclo Menstrual

Respondendo às questões das Confreiras:
Há já algum tempo que me tenho questionado sobre amamentação e ciclo menstrual, isto porque há praticamente 4 anos que amamento  - com uma interrupção de 6/ 7 meses entre um pequeno e o outro. Assim sendo, a minha pergunta vai neste sentido: o nosso ciclo menstrual comporta-se da mesma forma enquanto amamentamos? O nosso período fértil terá as mesmas características? 
Bem haja, M. S.
______________________________

A amamentação é o principal factor que determina a duração da amenorreia ou desaparecimento da menstruação depois do parto.


A falta de ovulação durante o período depois do parto chama-se amenorréia. Quando começamos a amamentar o/a nosso/a bebé, o nosso ciclo reprodutivo entra num período de descanso. Mais tempo de amamentação completa é igual a mais tempo sem menstruação. É totalmente normal que uma mulher que amamenta o/a seu/sua bebé a tempo completo e exclusivamente não tenha a menstruação nos 6 meses a um ano depois do parto, isto ocorre porque a acção frequente de mamar do teu/tua pequeno-a estimula a libertação de hormonas que detém, a ovulação, e por isso a menstruação. Já volto a falar destas hormonas.

Nos casos onde a mãe não amamenta o bebé, é normal que os ovários comecem o seu funcionamento um mês após o parto, mas as mulheres podem demorar dois ou três meses para ter a 1ª menstruação o que não implica necessariamente que não se estejam a ovular e que não se possa engravidar por isso é necessário tomar medidas para evitar uma gravidez não desejada.

De forma geral a primeira menstruação que ocorre, depois do parto, numa mulher lactante frequentemente se pospõe até passados seis meses. Geralmente é após os seis meses que se começam a introduzir alimentos sólidos na dieta do/da bebé, e por esse motivo deixa-se de amamentar com tanta frequência. As mães que atrasam a introdução de alimentos sólidos têm a 1ª menstruação pós-parto mais tarde. Por isso podemos encontrar mulheres que menstruam após 6 meses e outras até um ano depois do parto, por exemplo, há regiões de África, onde as mães amamentam frequentemente e os bebes dependem exclusivamente do leite materno por períodos até de 2 anos, estas mulheres podem demorar esse mesmo período de tempo para voltar a ter a menstruação. Por isso a 1ª menstruação após o parto depende de se a amamentação é prolongada, exclusiva e frequente.

Como disse nas primeiras linhas a ausência de menstruação ocorre porque quando o-a bebé suga o mamilo da mãe para se alimentar, junto com o leite produz-se uma substância chamada prolactina (PRL), que inibe o funcionamento dos ovários e a fertilidade da mulher.  

Quando amamentamos exclusivamente e com frequência, ou seja, quando o único alimento que recebe o-a nosso-a filho-a é o leite materno, este ciclo sem ovulação (conhecido como anovulatório) pode durar como referi meses, um ano ou até mais, mas o mais habitual (na Europa) são os seis meses, um ano.

Quando menciono amamentação completa ou amamentação exclusiva para determinar o tempo de duração do ciclo sem ovulação, falo de uma amamentação que depende dos horários do/da bebé uma vez que a mãe dá peito quando este/esta o necessite e o demande, o que significa que durante o dia não deve haver mais de 4h entre mamadas e durante a noite não deve superar as 6h entre mamada.

Se junto com o leite materno damos ao nosso-a bebé leite artificial ou outro tipo de alimento,  já não podemos considerar amamentação completa ou exclusiva e a introdução de outra fonte de alimento para além do leite materno inibira a produção de prolactina e o funcionamento ovárico recomeçará mesmo que estejamos a amamentar.

Ou seja alimentar exclusivamente com leite materno e com maior frequência prolonga o período de amenorreia pós-parto, logo atrasará o regresso da menstruação.

No momento em que diminui a produção de prolactina, (re)começa o funcionamento ovárico e temos a primeira menstruação depois do parto, é normal que a menstruação regresse diferente de como era antes da gravidez e que sofra alterações e reajustes enquanto as hormonas produzidas durante o tempo da amamentação se regulam até esta terminar totalmente.

Neste momento talvez na tua mente surja a seguinte pergunta: Posso utilizar o processo de amamentação como método contraceptivo uma vez que não tenho menstruação?

Esta comprovado que a amamentação completa ou quase completa diminui um 98% das possibilidade de gravidez ou fertilidade até ao aparecimento da primeira menstruação depois do parto, aproximadamente até 6 meses. Mas para a amenorreia ser considerada um método contraceptivo natural tem de cumprir certos critérios e temos de (re)aprender a descodificar a linguagem do nosso corpo.  Se queres saber mais sobre a amenorreia pós-parto e a fertilidade e como a podes utiliza-la como método contraceptivo natural clica AQUI.



CÍrculo de Mulheres Propósito | Encontro de Abril 2014