Imagina que confundíssemos os testículos com o pénis?


Todas sabemos o que é um pénis e todas sabemos que se chama pénis mas quanto toca falar dos genitais femininos as coisas não são tão claras… Temos dificuldade (vergonha, pudor, medo…) de a nomear (e de nos nomear) e por isso muitas vezes, quase sem pensar, sai um “ai em baixo” ou “a vagina”.

Mas não, não se chama vagina! Chama-se vulva.

E não, não encolhas os ombros numa atitude de “Pronto, não faz mal” ou “Tanto faz, a gente entende-se a mesma.” Imagina que confundíssemos os testículos com o pénis? Imagina que tivéssemos dúvidas sobre o que é o pénis ou o que são os testículos ou chamássemos tudo da mesma maneira, sendo partes diferentes? Impensável, certo?

Um chamo-me Aida, tu Raquel e a tua amiga Catarina mas como uma quarta pessoa não sabe os nossos nomes chama-nos a todas Maria, já sei que é um exemplo parvo mas dá para perceber por onde vai o raciocínio deste post, o mais certo é que nenhuma de nós respondesse porque não nos damos por esse nome.

Por isso vamos começar a chamar as coisas pelo seu próprio nome. Todas sabemos que o pirilau, o martelo, o pau, a xota, a gaita (e muitos mais) é pénis e que os tomates são testículos, então “aqui em baixo” as mulheres temos a rata, a patareca, a passarinha, a 'boca do povo', a pachacha, a cona (e muitos mais) e que oficialmente se chama vulva.

A vagina é outra coisa, é o conduto que vai da vulva até ao colo do útero, ou seja, faz parte dos genitais internos femininos. A vulva são os genitais externos e é constituída pelos lábios interiores e lábios exteriores, o clitóris, orifício urinário, o monte de vénus.

Chegando a este ponto do post surge na nossa mente uma curiosidade:

Porque é que confundimos a vagina com a vulva?

A resposta é simples: - pouca educação sexual e a pouca que recebemos é focada no sistema reprodutor/sexualidade reprodutora. Longe da educação sexual que nos é proporcionada, fica o olhar da sexualidade como fonte de prazer, autoconhecimento e crescimento, por isso o importante é saber que existe um canal, a vagina, pelo qual temos de introduzir um pénis para que aconteça a fecundação.

Um outro motivo que nos leva a confundir vulva com vagina ou achar que é tudo a mesma coisa, é o “coitocentrismo”, o que é?!?
É a obsessão de nos centramos no coito como a única e a verdadeira prática sexual. Por isso o importante é que exista um pénis erecto e um buraco onde enfia-lo chamado vagina.

Agora que já sabemos que a vulva se chama vulva, quero fazer-te umas perguntas (pura retórica para fazer-nos pensar):

O que achas desta confusão toda?
Gostas da tua vulva?
Alguma vez pegas-te num espelho para observa-la (observar-te)?
Sentes vergonha que o teu ou tua parceiro-a sexual olhe para ela cuidadosamente? O que pensas? O que sentes?
Cuidas dela?
Mima-la? (Eu mimo a minha com o sabonete natural Fio da Lua, podes encontra-lo no Herbanário Vermelho)
Pensas que é tudo menos bonita?
Pensas que é demasiado escura e enrugada, demasiado grande, assimétrica, esquisita, pouco agradável a vista?
Pensas que é pegajosa e pouco higiénica?  

Vamos deixar-nos de coisas, a tua vulva, a minha vulva, a vulva dela são lindas… porque cada uma é como tem que ser nem mais nem menos. Cuida dela como cuidas do resto do teu corpo. E para cuida-la bem é preciso conhece-la bem por isso desafio-te a transformares-te numa Exploradora Vulvar eximia, para ajudar-te crie o Kit da Exploradora Vulvar, estas preparada?


Mães, Filhas e Menarca (1ª menstruação)

Muitas mulheres escreveram-me a perguntar se o livro ”Por Trás da Capa Vermelha” é para meninas, para acompanhar a  Menarca (1ª menstruação)… a resposta é sim e não. Já sei, assim ficam a saber o mesmo!

Sei que parte da questão se formula devido ao aspecto da capa (os traços da ilustração e as suas cores) e outra porque cada vez mais mulheres estão a recuperar a tradição de acompanhar as outras mulheres nas etapas de transição. 

Para responder a questão vou partilhar uma reflexão convosco que se prende com o acompanhar as nossas meninas durante a Menarca e outro dia falamos da capa e do seu “ar infantil” (expressão usada por algumas mulheres nos email's que recebi), pode ser? ;)

Eu vou tentar explicar a minha visão sobre para quem esta dirigido o livro. Recordo-me que quando trabalhei em escolas de 2º/3º ciclo as meninas (prepúbers) e jovens (púbers) nessas idades são curiosas e que entre elas partilham muitas coisas sobre a menstruação e essas coisas de “mulheres” (tal e qual eu, nós na sua idade) e senti que quando a escola organizava palestras, tertúlias, encontros sobre sexualidade, as meninas ficavam a espera que xs orientadorxs falassem sobre essas “coisas” que elas partilham, normalmente na casa de banho (um dos motivos pelos quais vamos juntas a casa de banho na pré e na adolescência é para falar das “nossas coisas”).

Mas na verdade é que nesses encontros escolares sobre sexualidade não falam muito ou não como elas (e nós) esperavam sobre as “coisas de mulheres” e por isso muitas vezes preferem as suas tertúlias na casa de banho da escola (têm mais privacidade e podem falar sobre o que realmente lhes interessa).

Muitas vezes nesses encontros organizados pela escola, onde muitas vezes são convidadxs psicólogxs ou outros técnicos ligados a saúde e a educação sexual, passa-se a ideia (de forma directa ou indirecta) de que quando uma menina menstrua já é uma mulher e isso não é verdade. 

Quando uma menina menstrua, continua a ser uma menina e elas sentem-no assim por isso as vezes é muito complicado para elas gerir física, psicológica e emotivamente esta ideia que lhes é transmitida (mesmo que subtilmente) com aquilo que elas realmente sentem e têm percepção e por isso muitas vezes torcem o nariz e ficam “tristes” quando surge a 1ª menstruação (Menarca).

Várias mães já me comentaram que a sua filha ficou triste quando menstruou e que não gosta nem lida bem com novo acontecimento e que não sabem como acompanhar as suas ‘mulherzinhas’

Se pensarmos um pouco, quando tínhamos a idade delas e quando menstruamos pela primeira vez quase todas nós desejamos uma coisa: que ninguém de repente, porque tínhamos a cueca com umas pintas de sangue, nos começasse a tratar de forma diferente, queríamos que respeitassem o nosso espaço e tempo, deixando-nos sentir aos pouco a nossa própria identidade cíclica.

O nosso corpo-mente-emoção vai mudando com o aparecimento da 1ª menstruação mas cada uma de nós tem o seu próprio caminho até ser mulher, e como sabemos que chegamos a essa etapa?!?! A esse estado de "ser mulher"?!!?

Cada uma sabe quando isso acontece, qual é o seu momento.

Agora como mulheres adultas, sabemos que esse momento não esta cingido apenas a nossa capacidade de nos reproduzirmos (e quando somos meninas já intuímos isso, intuímos que ser mulher é muito mais do que menstruar e talvez por isso não gostamos que nos digam “já és uma mulherzinha” só porque menstruamos pela 1ª vez) e que uma mulher não se define como "o ser humano que pode procriar".

Para além disso, Menstruar não significa propriamente ovular, nos primeiros anos da menstruação a ovulação ainda não esta ajustada, ou seja, as vezes não ovulamos. O nosso corpo passa por um processo (cada corpo pelo seu) onde se vai adaptando as novas mudanças hormonais e neurológicas e durante este processo o que as meninas procuram são referentes:

*Por isso vão em grupo a casa de banho para falar de “coisas de meninas”.
*Por isso vão as palestras esperançadas de que quem as orienta sejam mulheres que conheçam as suas fases e desfrutem delas (mas nem sempre isto acontece).
*E por isso também “observam” a sua própria mãe ou referentes de mulheres adultas importantes na sua vida (tias, imãs mais velhas…).

Cada uma de nós como mulher adulta é um referente para qualquer menina e adolescente… e por isso temos que ter presente na nossa mente que todas nós tentamos construir a nossa identidade desde pequenas, questionamo-la, ampliamo-la e redefinimo-la durante a adolescência e provavelmente ao longo da nossa vida, por isso somos um referente em constante construção, e talvez por essa construção e reconstrução ser constante mesmo sendo mulheres adultas (seja lá o que isso signifique para cada uma de nós) por vezes quando nos dizem “És uma mulher” nos sentimos alheias a esse corpo de mulher adulta que somos. 

Agora só nos basta imaginar (e recordar) como se sente uma menina de 10 ou 11 (12,13…) anos, idade onde a construção-desconstrução-reconstrução do seu corpo-mente-emoção é uma montanha russa acelerada!

Por isso como referentes para (todas) as meninas (sejam ou não nossas filhas) temos duas tarefas nas mãos:

1.Não repetir o que muitas de nós ouvimos quando menstruamos pela primeira vez “Já és uma mulherzinha”. Menstruar não é sinónimo de mulher.
2. Se ainda não conhecemos as nossas fases e desfrutamos delas, começar a fazê-lo.

E chegado a este ponto da minha reflexão, já posso responder melhor a questão inicial, o livro é para todas as mulheres que têm estas tarefas entre mãos (e para muitas outras mulheres). Ele não foi propriamente escrito para as meninas entre os 10 e os 16 anos mas foi a pensar nelas também. 

Como mães ou mulheres que acompanham meninas e jovens (ou seja todas nós directa ou indirectamente) destas idades e podemos usar este livro como ferramenta mas primeiro deves ser usado para autodescoberta da mulher cíclica que somos, permitindo-nos gozar as nossas fases e ritmos e segundo como um livro para partilha com as nossas meninas.

O que eu quero dizer é que é contraditório oferecer, simplesmente um livro as nossas meninas que fala “das coisas de mulheres” se nos não somos um referente positivo, ou seja, se não somos mulheres que conhecemos e gozamos a nossa ciclicidade por isso primeiro ele é para nós e depois para ser partilhado com elas.

A nossa ciclicidade é um processo muito importante que gera mudanças e que nos conduz a um autoconhecimento e a um constante ampliar dos nossos próprios limites corporais-mentais-anímicos, por isso a melhor maneira de transmitirmos isso as nossas meninas é nós mesmas nos permitirmos vivenciar gozosamente esse processo (foi por isso que escrevi o livro para que possa acompanhar a cada uma de nós a viver prazerosamente o seu próprio processo) e deixar que elas, as meninas, (observando-nos) descubram o seu… que não será igual ao nosso porque cada uma de nós é única e tem as suas próprias nuances.

Por isso o livro é para todas as mulheres de todas as idades mas se o queres oferecer a uma menina que vai em breve receber a sua 1ª menstruação ou que esta na primeira etapa desta jornada cíclica, peço-te que não te esqueças que é importante que tu também caminhes com ela (a seu lado) sendo simplesmente um referente positivo e prazeroso e que explorar juntas o livro torna a jornada cíclica uma verdadeira aventura. 




Queres conhecer melhor o teu Ciclo Menstrual?
Tenho duas propostas para ti…
Por trás da Capa Vermelha – Um livro-agenda sobre o Ciclo Menstrual
Programa de Educação Menstrual – Consultas e Ateliers de Autoconhecimento



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Torci o tornozelo... :(


A chuva e as escadas são dois dos meus grandes inimigos, não é a primeira (ao longo da minha vida) vez que escorrego numas escadas num dia de chuva e o resultado é este: 

T O R N O Z E L O T O R C I D O

Desta vez o tombo não foi muito aparatoso porque só eram três degraus. 

O mais chato de tudo é que já sei como vão ser três ou quatro dias onde praticamente não posso por o pé no chão e depois umas semanas com uma moedeira na zona (já estou habituada a moedeira desde que torci o tornozelo pela primeira vez durante um treino de atletismo tinha uns 12 anos).

Hoje o meu melhor amigo será o gelo. 

Opa!!!  Agora vou ter de cancelar compromissos e encontros e amanhã vou cantar Grândola Vila Morena com a perna ao alto! 

Confreiras, os eventos e encontros Agendados para dia 25 e 26 de Abril  estão cancelados por ordem do meu real tornozelo direito. Mas como os estrogénios correm braviamente no meu corpo vou preparar algo para me encontrar (virtualmente) convosco no dia da Liberdade. 


O Mundo Cíclico

O conto da Capuchinha Vermelha e a urgente necessidade de Reconectar com o feminino

Na Confraria continuamos a celebrar a semana do livro por isso o post que partilho convosco hoje fala dos momentos de Iniciação e de Descenso que a Capuchinha Vermelha (que cada uma de nós leva dentro) vai encontrando no seu caminho e que estão registados em “Por Trás da Capa Vermelha”.

Em algumas versões do conto a pequena menina veste um capuz vermelho (ou seja eu… tu… nós mulheres) e leva na sua cesta um queijo para avó que esta doente, o sangue feminino (representado se quisermos na cor da capa) e o leite (representado pelo queijo) são fluídos corporais ligados à mulher, mais concretamente à maternidade e fertilidade/menstruação.

O Sangue feminino é supostamente a matéria da concepção e o leite materno é a sublimação do sangue uterino, acreditava-se que a mulher retinha o sangue no seu corpo para dar forma/criar o seu filho o que explicava que as mulheres que amamentam não experimentam os fluxos menstruais no seu corpo.

Na readaptação que faço deste conto no livro “Por Trás da Capa Vermelha” (a partir da versão mais antiga que se conhece na tradição oral), encontramos descritas as etapas da vida da mulher que durante os tempos foram ritualizadas, momentos de transição: A Menarca (inicio da menstruação), a Gravidez e a Menopausa, momentos altos do ciclo feminino (dos Mistérios do Sangue) que vinculam a mulher a lua e a divindade feminina.

Os Mistérios do Sangue sempre foram transmitidos de mães a filhas, pode então dizer-se que a Capuchinha Vermelha vai visitar a avó com alimentos alusivos à essência da feminilidade para a fortalecer mas é ela própria, que em muitas das versões deste conto, a que acaba por os ingerir, pois a avó encontra-se na idade (na etapa da menopausa) de transmitir os Mistérios do Sangue a sua neta, que esta prestes a receber o sangue feminino pela primeira vez (a sua primeira Lua) no seu corpo.

Acreditava-se que a Mulher Menopáusica voltava a reter o sangue no seu corpo mas desta vez não para gestar uma vida e sim para gestar sabedoria, o que faz dela uma mulher sábia. O correspondente simbólico desta etapa é a Lua Minguante, a última etapa da Deusa Tríplice (divindade de culturas antigas que representava a ciclicidade feminina), a mulher Anciã e Sábia.

E a neta esta preparada para receber o seu primeiro sangue (Menarca) e iniciar a sua transformação de menina em mulher, dando assim os primeiros passos na etapa de Donzela (2ª fase da Deusa Tríplice, deusa de culturas antigas), equivalente metafórico a Lua Crescente, o ritual do primeiro sangue menstrual marcava a sua nova condição de mulher.

Neste ponto, penso que o conto, nos dias de hoje relembra-nos que a capacidade genésica de uma jovem é herdada de uma antepassada e convida-nos a recuperar esses rituais de transição, essa irmandade feminina (sororidade), da qual falo num dos contos do livro, que permite resgatar os dons do sangue que devem ser transferidos das mulheres mais velhas para as jovens.

Esta passagem de menina a mulher remete-nos ao conceito de morte, da morte simbólica e do renascimento para uma nova etapa. Na perspectiva da passagem dos mistérios do sangue, estes podem ser transferidos mas não aumentados, ou seja, a maturidade de uma jovem implica a morte simbólica de uma das suas ascendentes à condição plena de mulher. Neste ponto compreendemos como os Mistérios do Sangue envolvem-se num contínuo ciclo de Vida-Morte-Vida à Mulher.

Somos livres de nascimento… mas quando a mulher entra na etapa fértil, deve esconder-se, deve esconder o seu sangue, o que é um erro… Talvez a sociedade em que vivemos esta demasiado preocupada em educar no medo, na autocensura, na autoprotecção, na desconfiança (quase doentia) em relação ao resto do mundo! Mas é o Ciclo Menstrual, que tanto se empenham por mostrar como o ciclo da dor, que renova e faz renascer o nosso corpo-mente, a cada ciclo, para uma maior confiança e crescimento.  

Eu explico, no livro, como vivo, como me amo e as potentes mudanças que realizo (eu e todas vocês) ao entrar em contacto com o meu corpo-mente… com o meu Ciclo e ritmos férteis… com o meu Útero.
As mulheres que estão na Menopausa vivem exactamente os mesmos ciclos emocionais que as mulheres que menstruamos.
Somos MULHERES, com ou sem Útero físico, com ou sem menstruação, com o sem filhos. Quais são os caminhos que nos permitem essa plenitude?

O AUTO- CONHECIMENTO
e o
AUTO - RESPEITO

Sou circular. Somos circulares. Não te perguntes porquê é que o és, és e ponto final. Não te questiones porque as emoções sempre vão e vêem sem motivo aparente. És tão mulher, tão lua, que sais e te escondes, cresces e decresces, enches-te e esvazias-te, de tudo e de todos… não é maravilhoso?

Renovas-te constantemente, só tu decides fazê-lo com dor ou com Amor

Neste conto não só compreendemos a passagem de menina a mulher na maturidade reprodutiva que a menina está prestes a adquirir mas também a sua iniciação sexual, mas disso falamos num próximo post.

Nesta semana do livro não esqueças "Boas" meninas vão para o céu…As "Más" lêem livros, por isso a Confraria Vermelha quer celebrar o Dia Mundial/semana do Livro com muita "maldade", portes grátis até dia 27 de Abril. Aproveita.


Queres conhecer melhor o teu Ciclo Menstrual?
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Por trás da Capa Vermelha – Um livro-agenda sobre o Ciclo Menstrual
Programa de Educação Menstrual – Consultas e Ateliers de Autoconhecimento

"Boas" meninas vão para o céu…As "Más" lêem livros

Hoje é Dia Mundial do Livro por isso que melhor forma de celebra-lo do que falar de livros. Como sabem as que seguem o blog e para as que acabam de chegar, dentro do Programa de Educação Menstrual e Fertilidade Consciente nasceu um livro, o livro por “Trás da Capa Vermelha”. Para ser mesmo sincera, o livro nasceu de uma procura pessoal, de uma necessidade de voltar a encontrar a manada, e um dia atrevi-me a seguir as pegadas vermelha…

Esta minha procura vermelha é a procura da minha (nossa) história original… é uma procura em forma de regresso a essência do Ser Mulher (seja lá o que isso signifique para cada uma de nós) e que me levou a perceber que como mulher não posso esperar por uma solução que venha de fora, por isso a minha versão preferida, da Capuchinha Vermelha, e a qual sinto desde o meu útero como verdadeira é a que REescrevo no livro “Por Trás da Capa Vermelha”… porque é a única que me permite avançar em direcção a minha própria identidade.

Nela dou seguimento e continuidade a tríade filha, mãe e avó que se mantém intacta, sem caçadores armados em heróis ou em príncipes valentes que me querem vender o final “Y fueron felices para siempre y comieron perdices”.

Talvez por ter crescido consciente do papel que a sociedadefamíliacultura patriarcal me reservava por ser mulher e por não estar de acordo com esse papel me apeteceu escrever este livro e por isso é muito importante que esta tríade se mantenha intacta porque ela nos permite permanecer inteiras e estar inteiras significa que não se rompeu o ciclo das idades femininas: a jovem, a fértil e a anciã que em outro sentido simboliza o nosso vínculo natural com o passado, com a nossa mãe, e com o futuro, com a nossa filha quando a tivermos (ou com as mulheres mais novas). Este vínculo entre três pessoas físicas é ainda mais importante porque tem o seu reflexo no nosso interior e lá ganha vida.

O Feminino como arquétipo sempre foi intuído, imaginado de forma tripartida, quer na mitologia quer na religião da Grande Mãe Universal que a arqueologia nos revela. A donzela, a mulher plena e a anciã sábia têm sido veneradas de forma universal e mesmo depois de cinco mil anos exiladas da consciência das mulheres (e dos homens) estas três mulheres que são UMA permanecem dentro de nós, da nossa psique para orientar o nosso trajecto natural e para nos mostrar as nossas qualidades em cada uma das etapas. (No livro quero explorar contigo a mulher plena e consciente de si, descobrindo os seus dons e desafios assim como as 4 Capuchinhas que a habitam).

Se esta tríade se rompe, rompe-se o ciclo da vida e não há renovação possível e as mulheres perdemos as forças para avançar e deixamos de saber onde estamos e somos enganadas sempre pelas instruções de algum malandro caçador (sistema cultural).
Nesta versão que sinto como original, que sinto como minha, que sinto como nossa junta-se a esta tríade algo que me parece importante: a comunidade feminina, a Sororidade.

E é este núcleo puramente feminino, que habita no profundo de cada mulher e que muitas desconhecemos, que residem as pistas principais para entrar dentro deste livro, para entrar dentro da nossa Ciclicidade e beber da sua fonte vermelha original.


Por isso não se esqueçam as "Boas" meninas vão para o céu…As "Más" lêem livros,  atrevam-se a colocar muita "maldade" na por isso a Confraria Vermelha e a Capuchinha Vermelha (que habita dentro de cada uma de nós) quer celebrar o Dia Mundial do Livro com muita "maldade", portes grátis até dia 27 de Abril. Aproveitem J

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