Sangrado Livre (Free Bleeding ), o que é?

Respondendo às questões das Confreiras:
Ouvi falar do sangrado livre como método de higiene intima durante a menstruação, o que é concretamente? 
Bj*
Tatiana
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Enquanto escrevia este artigo, uma amiga facebookiana publicou um artigo (confesso que acho um pouco aparvalhada e deseducativa a forma como este texto esta escrito) sobre sangrado livre perguntando o que achávamos sobre o tema. Perante a expressão “sangramento livre” e as fotos que normalmente acompanham os artigos que falam sobre o tema imaginamos uma mulher completamente suja de sangue, com as pernas a escorrer e a deixar um carreiro de sangue por onde passa, certo?

“Olho para isto e pergunto- me o porque farão isto.... Não sinto que precise de andar com o sangue a escorrer- me para honrar o meu Sangue e essa fase do meu ciclo...”

“Para mim o texto, tal como já disseram... enfim...
Acho a ideia/atitude meio drástica, de forma a chocar... não sei até que ponto será benéfico para os fins. (…)”

Antes de continuar quero esclarecer que acima de tudo o importante (na minha opinião) é que cada Mulher deve sentir como lhe faz sentido viver esta fase.

Dito isto, não podemos esquecer que são muitos os séculos a ocultar e a rejeitar a menstruação, o que faz com que não seja simples reconhecer que o “sangrado livre” era a forma na qual antigamente menstruavam as mulheres na nossa tão globalizada terra (e urbanizada) e na qual actualmente ainda há mulheres no mundo que o continuam a fazer, mulheres que não perderam a união com a Terra e com sigo mesmas.

Nos últimos anos muitas mulheres começaram (ou voltaram) a usar métodos de “higiene” feminina alternativos como os pensos e tampões orgânicos e biodegradáveis, as esponjas marinhas, os pensos de pano, o copo menstrual ou nada. Nada de nada. Tal e qual como estas a ler.

O “sangrado livre” é uma técnica com base no autoconhecimento do nosso corpo, com base no ouvir o nosso útero até ao ponto de saber quando é necessário expulsar o nosso sangue menstrual. Eu vivo assim a pouco mais de um ano (mas as vezes por motivos externos utilizo pensos de pano ou orgânicos/biodegradáveis) o que me permite estabelecer uma conexão profunda com o meu corpo.

Colocamos a nossa atenção no nosso útero, nas suas contracções, em como se abre o nosso colo do útero, em como flui o nosso sangue e assim podemos recolhe-la para um recipiente e deixa-la na terra, tal e como faziam e fazem as mulheres caçadoras-recolectoras.

Com os pensos de pano (e com o copo menstrual, claro!) também é possível fazer esta entrega a Terra, são simples de utilizar e de lavar e também nos permitem ter consciência da nossa necessidade de ouvir e mimar (e dar resposta) o nosso corpo quando estamos na fase menstrual. O simples facto de ir a casa de banho e ver o nosso sangue, ajuda-nos a não esquecer de que o nosso corpo esta num momento de descanso. Por outro lado, as contracções do nosso útero ao soltar o endométrio são mais efectivas quando não temos nada dentro da nossa vagina, com os pensos de pano permitimo-nos esta liberdade de fluir para além de recolhermos o nosso sangue, basta coloca-los depois num recipiente com água natural, simples e fria.

Voltando ao “sangrado livre” e porque é que ele é visto, actualmente, como a uma forma radical para nos permitirmos esta liberdade de fluir em plena conexão com o nosso corpo na fase menstrual.

Comecemos pelo princípio.
O que nos faz questionar esta opção é a crença errada da quantidade de menstruação que o útero expulsa, ou seja, esta quantidade nem é tanta como achamos e não sai a pressão e sem controlo como se fosse uma torneira aberta. Na verdade podemos controlar a saída da menstruação tal e qual fazemos com a urina, só precisamos de prática e paciência. Desafio-vos a parar e a observar as reacções do vosso corpo e a aprenderem com elas e depois conseguir prevê-las. Tenho a certeza de que já foram capazes de saber quando vos ia descer a menstruação porque foram conscientes da sensação que temos no baixo-ventre, certo?

Quando comecei a tentar conectar com o meu corpo, a ouvi-lo fi-lo em casa (é o melhor para as primeiras vezes), permaneci sentada sobre uma toalha para prevenir as manchas não desejadas.

 (…)Adoro a ideia de menstruar livremente, e só não o faço porque é desconfortável e mancha as cadeiras. (…)

Depois permaneci “alerta”, ou seja, coloquei toda a minha atenção no meu corpo e naquilo que ele e principalmente o meu útero me diziam. O útero avisa sempre, nós é que nem sempre o ouvimos!

Quando esta pronto para esvaziar, geralmente temos vontade de urinar, mas sem a urgência habitual. Se dermos ouvido ao nosso corpo e formos a casa de banho fazer xixi e observarmos vemos que soltamos sangue. Outro aviso é uma sensação parecida, é a “dor” que temos na zona baixa do ventre e que é própria dos dias de menstruação, quando essas cólicas surgem fazemos exactamente igual, vamos a casa de banho e recolhemos/expulsamos o sangue. Também é comum sentir que o sangue começa a gotear, se nos dirigimos rapidamente a casa de banho chegamos a tempo de recolher/expulsar o sangue. A única coisa que devemos ter presente é que temos de tenar relaxar todos os músculos do corpo, principalmente a boca e a vagina (ambas relacionadas entre si).

Agora é momento de dizeres:
- Fogo, assim tenho de ir a casa de banho de 10 em 10 minutos?

É provável que nas primeiras vezes sintamos que temos de ir a casa de banho de 10 em 10 minutos, pois habituar os músculos é um processo parecido ao que passamos quando eramos pequenas - aprender a controlar as fezes e a urina. Pouco a pouco seremos cada vez mais conscientes de como se contrai o útero para expulsar o endométrio.

Claro que o “sangrado livre” não é uma prática adaptável a todas as situações da vida moderna, nem é necessário que todas as mulheres pratiquem este método, como também não é necessário ir a todo lado sem nada, na minha opinião o mais importante é tomar consciência e saber que há muito mais para além daquilo que nos contaram e como já disse acredito que o mais importante é que cada Mulher sinta como lhe faz mais sentido viver esta fase.

O sangramento livre é uma boa forma de sermos conscientes de como o mundo onde vivemos nos vai distanciando do nosso corpo até ao ponto de nos fazer acreditar que as nossas experiências corporais não encaixam nele. Estabelecer diálogos com o nosso útero ajuda a compreender o nosso corpo e a entender as suas necessidades, que são simplesmente as nossas necessidades. Conhecermo-nos e aceitarmo-nos é o primeiro passo para mudar o mundo.

Para mim o sangramento livre foi muito além do recolher o meu sangue e entrega-lo a terra, pois deitar fora o nosso sangue menstrual é um gesto de ignorância (que eu também já o fiz e não tem mal, não vamos arder no inferno por isso!). O que eu estou a tentar dizer é que o nosso sangue menstrual não é lixo e por isso não pode ser tratado como tal. O nosso sangue menstrual contém células mãe regeneradoras, falei disso neste artigo.

Como estava a dizer, praticar o sangrado livre foi, para mim, muito mais do que recolher o sangue e oferta-lo a terra (nutrindo os vasos e canteiros cá de casa), foi muito mais do que menstruar sem produtos químicos de “higiene” íntima. Foi muito mais que criar com ele um tónico para o cabelo ou uma máscara facial para as impurezas como partilho convosco no Curso de Ginecologia Natural. Foi acima de tudo aprender a reconhecer as sensações que nos indicam que o útero quer expulsar a menstruação e assim poder fazê-lo onde (eu) quiser, em casa, no campo, no trabalho… Foi muito mais do que deixar de usar ‘fraldas menstruais’! Contudo, confesso que amo os meus pensinhos de pano e tenho um óptima relação com o copo menstrual.

A relação com  a minha menstruação mudou por completo. Aos pouco fuiMe apercebendo em que momentos é que o fluxo menstrual aparecia e nos movimentos e sensações que estavam associadas. 

Foi uma aprendizagem lenta, contemplativa e intuitiva depois toda a informação que ia recolhendo sobre o meu corpo, sobre mim, relacionava-se entre si praticamente sozinha e fui criando um diário menstrual brutal! Cheio de informação e poesía.  
Hoje, posso-vos dizer que uso os pensos de pano para evitar alguma pequena mancha e o copo menstrual quando saio e sei que vou ter que estar concentrada em tarefas que não me permitem prestar tanta atenção e tempo ao meu corpo.

Como mencionei nas linhas anteriores o sangramento livre implica ouvir a zona baixa do ventre e mover de forma voluntaria a musculatura para expulsar a menstruação. Por isso, esta forma de viver a menstruação ajuda a tonificar a musculatura genital e a aprender a move-la com consciência o que repercute favoravelmente na nossa saúde, ajudando:
  • A diminuir a ‘dor’ menstrual;
  • A aumentar o prazer sexual e os orgasmos;
  • A melhorar o parto;
  • A evitar os efeitos secundários[i] dos produtos de higiene íntima comuns.


Para além disso é o método mais económico, ecológico e saudável que conheço.

Mas sabem qual foi a consequência de praticar este método mais importante de todas (para mim)?

Foi que me obrigou a parar... a diminuir o ritmo. A centrar a minha atenção em mim (nos primeiro dias de menstruação evacuamos mais sangue menstrual). A fase menstrual é uma fase que precisa de pausa e recolhimento e praticar este método ajudou-me a respeitar esta necessidade tão própria desta fase do ciclo e que tão facilmente passamos por alto (e a qual a sociedade não respeita nem dá espaço).

E tu atreves-te a experimentar? O que achas-te da ideia?
Adorava saber a tua opinião, aqui em baixo nos comentários.



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[i]  Entre os efeitos secundários estão o choque tóxico e os problemas de fungos e infecções devido ao enfraquecimento da mucosa vaginal que causa o uso de tampões e pensos convencionais. 


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Cuidados e Mimos Pessoais - Ferramentas para uma boa saúde

CUIDAR DA PELE (1)


A pele é uma espécie de sistema nervoso “externo” que tem a sua origem na mesma capa embrionária que o cérebro e sistema nervoso central. Isto explica porque é que a pele influência todos os pensamentos que temos e todos os alimentos que comemos.

O efeito do envelhecimento da pele começa de verdade nos anos da adolescência, mas geralmente o efeito só é visível anos depois, com as rugas, as manchas da idade por exemplo.

Os anos da adolescência são o período ideal para estabelecer um sólido programa de cuidado da pele, limpar e hidratar. Este ‘programa’ passa também por ter uma alimentação saúde, proteger do sol, respeitar a necessidade de descanso, limpeza e a hidratação da pele.

Todas as adolescentes deveriam começar a criar o hábito de cuidar da pele, que basicamente é fazer uma boa limpeza de manhã e a noite com uma loção de limpeza de pH neutro e sem ingredientes químicos, também podes usar simplesmente sabão mas tenta que não seja demasiado alcalino. Depois da pele limpa passamos ao acto de hidratar também de manhã e a noite com produtos que contenham antioxidantes como vitamina E e coezima Q10. Mais uma vez não te esqueças de escolher produtos que não tenham químicos na sua composição.

Eu gosto muito das loções de limpeza e dos hidratantes da Fios de Seda e de usar argila para preparar mascaras faciais que me ajudam a equilibrar o pH e a renovar a pele da cara e do corpo. Cuidar de ti, da tua pele com mimo e com produtos naturais ajudam a cimentar a tua autoestima e a seres mais feliz. Experimenta J

ARGILAS
A argila é um material de origem mineral, resultante da presença de compostos derivados de alumínio. É colectada directamente do solo e óptima para cuidar da beleza, tanto em tratamentos estéticos como em terapêuticos.

Entre os benefícios da argila para pele, estão: o poder de prevenir os efeitos do tempo, limpar, esfoliar e tirar manchas superficiais. Ajuda ainda a acalmar inflamações e activar a circulação superficial, melhorando a vitalidade da pele.

Existem vários tipos de argila, cada uma possui diferentes substâncias que dão qualidades especiais a elas. Os principais tipos de argila:

ARGILA BRANCA
É a argila mais leve de todas. Usada em máscaras faciais e shampoos para cabelos secos. É indicada para   peles sensíveis e desidratadas. 
 A argila branca contém a maior percentagem de alumínio e o seu pH é muito próximo ao da pele.
Os benefícios são:
Clarear a pele (indicada para tratar manchas);
Absorver o oleosidade da pele sem desidratar;
Acção suavizante;
Cicatrizante.

ARGILA VERDE
A argila verde possui a maior diversidade em elementos. É indicada para peles oleosas e com acne. Também utilizada para cabelos oleosos.
Os benefícios são:
Acção adstringente;
Tonificante;
Estimulante;
Combate edemas;
É secativa;
Bactericida;
Analgésica;
Cicatrizante;
Esfoliante;
Promove a desintoxicação.

ARGILA VERMELHA
A argila vermelha é rica em óxido de ferro e cobre.
Os benefícios são:
Hidratante;
Previne o envelhecimento da pele;
Redutora de medidas e peso;
Activa a circulação;
Atua como anti-stressante.

ARGILA ROSA
A Argila Rosa é uma mistura da argila branca com a vermelha. Por ser mais suave, a argila rosa é indicada para as peles sensíveis, delicadas, cansadas e sem brilho. Possui acção desinfectante, cicatrizante e suavizante.
Os benefícios são:  
Devolve a luminosidade;
Hidrata a pele;
Aumenta a circulação;
Ajuda a eliminar a celulite e gordura localizada;
Efeito tensor;
Auxilia nos tratamentos de flacidez.

ARGILA AMARELA
A argila amarela é rica em silício (sílica); tem acção tonificante e é indicada para peles maduras e cansadas.
Os benefícios são:
Formação do colagénio da pele devido ao silício;
Indicada para rejuvenescimento e tratamentos cosméticos;
Hidratante;
Actua na flacidez cutânea.

ARGILA PRETA
Raramente encontrada, é a mais nobre de todas. A argila preta ou lama negra, é utilizada para a desintoxicação da pele; principalmente peles oleosas.
Os benefícios são:
Acção anti-inflamatória;
Absorvente;
Anti-stress;
Revitalizadora do couro cabeludo.

ARGILA CASTANHA
É uma argila rara devido sua pureza. Eficaz contra acne e tem efeito rejuvenescedor do tecido.
Os benefícios são:
Activa a circulação;
Rejuvenesce a pele e tecidos.

ARGILA CINZA
Indicada para peles oleosas e manchadas. Devido ao titânio presente em sua composição, combate espinhas, cravos e é um excelente esfoliante.
Os benefícios são:
Antioxidante natural;
Retarda o envelhecimento da pele;
Eficaz contra acne;
Efeito rejuvenescedor do tecido.

Se tens alguma receita com argila que seja top? Partilha connosco, aqui em baixo nos comentários. Vamos adorar! 

 PIC: Pinterest

Sexo durante a menstruação sim e não

Respondendo às questões das Confreiras:
Tem problema fazer sexo menstruada?
Faz mal para a saúde? Há risco de engravidar?
Filipa
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Sexo e menstruação são dois assuntos que ainda despertam muitas dúvidas nas mulheres, o que faz com que muita gente fique sem saber como agir, especialmente na hora em que os dois são colocados “juntos”.
Esta questão é uma questão recorrente, muitas de nós já nos questionamos sobre ter ou não ter relações sexuais durante a menstruação. De certeza que muitas de vocês já leram artigos escritos por médicxs e sexólogxs que dizem que é uma prática normal e saudável mas mesmo assim continuamos com dúvidas sobre a higiene, o prazer, o sangue e as energias etc.

Na verdade, não podemos negar que o sexo ainda tem uma aura de tabu, a menstruação ainda é um tabu, e se juntamos 1+1  temos:

sexo durante a menstruação um tabu2

Por isso espero que este post seja útil e sirva como orientação para que tomes as tuas próprias decisões sobre sexo durante a menstruação.



Uma questão de higiene
Um dos pontos que sempre nos preocupa no que diz respeito ao sexo durante a menstruação é a higiene. Algumas mulheres mencionam que sentem uma enorme preocupação de “sujar” tudo, vamos reflectir (e ser sinceras) um pouco:
- Quando pensamos em “sujar” tudo, estamos a visualizar uma relação sexual coital, ou seja com penetração, certo?
 - Estamos a imaginar, acima de tudo, que vamos “manchar” o companheiro, certo?
Agora vamos ver a realidade:
- O sexo não é sinónimo de penetração, existem diversas práticas sexuais que não incluem o coito.
- A penetração não implica sempre um pénis. Podemos, por exemplo, recorrer a brinquedos sexuais.
Por isso para destruir o fantasma “vou ‘sujar’ tudo” temos de abrir a mente:
- Se alargarmos os nossos conceitos de prática sexual encontraremos a forma de disfrutar do sexo durante a menstruação.
- Se abandonarmos a ideia falocêntrica e genital da prática sexual encontraremos formas de dar forma ao nosso desejo, caminhos que nos conduzam ao orgasmo terapêutico que nos permite libertar a energia e a tensão acumulada assim como relaxar e mimar o nosso útero com doces cocktails hormonais.

Não há mesmo riscos de praticar sexo durante a menstruação?
Esta é outra das questões que pairam no nosso cérebro quando nos colocamos a questão de praticar sexo durante a menstruação.
Para responder a esta questão temos primeiro que esclarecer de que riscos estamos falamos:
de uma gravidez indesejada
ou
de infecções e doenças sexualmente transmissíveis (DST)?

Se falarmos das DST o risco existe por duas razões: primeiro, o sangue serve como veículo para vírus e bactérias, assim como o líquido seminal, segundo durante a menstruação o colo do útero esta aberto para permitir o descenso do fluxo menstrual e o pH vaginal é menos ácido o facilita a probabilidade que alguma infecção atravesse pela cavidade pélvica. 

No que diz respeito a gravidez o tema não é assim tão linear, a fase menstrual pode ser uma fase relativamente infértil, ou seja, há muitas variáveis que deveríamos ter em conta, principalmente os ciclos curtos, para podermos avaliar se a nossa fase menstrual é ou não fértil. Neste ponto aconselho-te a investigares os Métodos de Contracepção Natural. Se não dominas os Métodos de Reconhecimento da Fertilidade (MRF) o único conselho possível se decides ter relações sexuais com penetração durante o período e queres evitar uma gravidez é usares um método contraceptivo de barreira, como o preservativo.

Prazer e libido durante a menstruação
Este é outro ponto sobre o qual nos questionamos. Quando pensamos nesta fase do ciclo olhamos para ela como uma fase introspectiva. Eu, por exemplo, durante esta etapa prefiro estar sozinha, evitar o bulício social mas isto não quer dizer que a minha libido desça necessariamente e estou certa que não sou a única a quem isto acontece. Para além de satisfazer o desejo, no sexo durante a menstruação encontro alivio para as cólicas menstruais. Muitas amigas já me confessaram que os orgasmos durante o período são os melhores. Isto pode ter a sua razão de ser, no movimento uterino associado a excitação sexual e a libertação de prostaglandinas num momento de tensão e neste caso de congestão da zona pélvica. Por outro lado a vagina fica mais lubrificada, o que facilita muito a penetração. Outra coisa que facilita o momento de alcançar o orgasmo, é o facto do fluxo de sangue aumentar na região do clitóris, o que o deixa muito mais sensível, por isso o orgasmo menstrual pode ser vivenciado como uma experiência intensa, íntima e terapêutica. Mas pode perfeitamente haver mulheres que estão muito mais sensíveis e que sentem desconfortos muito fortes, sentindo-se desde o início da relação incomodadas. Sentindo-se inchadas, com o humor alterado, e isso prejudica a libido. Por isso, acabam sentindo menos prazer e estando menos à vontade, para praticar sexo. Seja como for o ideal é que cada uma ouça e observe o seu corpo e aprender identificar o que é mais confortável e prazeroso para si mesma a todos os níveis nos diferentes momentos do ciclo menstrual e da vida. Quando sabemos o que queremos e o que gostamos, e estamos em sintonia com quem partilhamos a nossa vida sexual, provavelmente vamos viver experiências plenas e prazerosas durante a menstruação e sempre.  

Sexo sem resquícios de sangue
Por vezes depois da penetração, não aparece nenhum resquício de sangue no preservativo ou na região e tu, estranhas que não apareça nem uma gota de sangue! É pura coincidência com o relógio biológico. A menstruação não tem um fluxo contínuo. É uma descamação no útero que acontece ao longo do dia, espaçadamente. O útero enche e, depois de algumas contracções, descama e libera o sangue menstrual. Mas isso não acontece o tempo inteiro, há intervalos. Se, por acaso, a relação for num intervalo no qual o útero não está cheio, não vai deixar nenhum resquício de sangue. Por outro lado pode acontecer exactamente o oposto, o aumento do fluxo do sangue. Algumas mulheres comentam que o fluxo de sangue aumenta durante o acto sexual, e é verdade. Isso pode acontecer porque o orgasmo provoca contracções no útero, que é, justamente, o que estimula a descamação do órgão e o consequente sangramento.

A menstruação e a espiritualidade
Algumas mulheres, que trabalham/vivenciam os seus ciclos de uma forma espiritual questionam-se se nesta fase devem abrir-se ao sexo ou não. A verdade é que as opiniões são várias, há posicionamentos que dizem que nesta etapa do ciclo a mulher deve ser mais cuidadosa nas suas práticas sexuais porque esta “aberta” a outras energias. Também há quem mencione que a mulher deve guardar estes dias para a purificação… enfim podemos encontrar vários posicionamentos mas cada uma de nós deve encontrar o seu sentir neste campo.

Cada uma de nós tem a sua própria verdade e a sua forma única de expressar a libido nas 4 fases hormonais que desenham o ciclo menstrual. “Por Trás (de tua cada) da Capa Vermelha” (título do programa de autoconhecimento menstrual) há uma mulher diferente. Como é tua? Gosta de sexo durante a menstruação? Como se expressa ela nesta fase do ciclo? Podes partilhar connosco a tua experiência logo aqui em baixo aqui nos comentários?

Porque é que o meu Ciclo Menstrual é Irregular?

Respondendo às questões das Confreiras:
Sou muito irregular, o que será que altera o meu Ciclo Menstrual?
Abraço Mariana
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Cada uma de nós é diferente. O teu corpo (tu) é único. A tua composição celular e a tua espiral de ADN não é igual a minha, nem a da tua melhor amiga. Isto parece óbvio, mas esquecemo-nos com muita facilidade desta obviedade quando tentamos conhecer o nosso corpo e temos a tendência automática de nos agarramos a padrões científicos e médicos que nos dizem como é habitar um corpo “normal” (estândar). Não é só dizer que cada uma é diferente da outra, temos mesmo que acreditar NÃO HÁ CORPOS NORMAIS. HÁ CORPOS ÚNICOS.
Claro que há pautas que nos ajudam a identificar patologias mas são apenas isso, pautas. Pautas de orientação que oscilam e têm a influência de várias variáveis. A tua menstruação, na verdade todo o teu ciclo menstrual, têm o seu próprio padrão.

Por isso para responder a questão da Mariana não vou falar de um Ciclo Menstrual normal e sim das pautas para orientar o Ciclo Menstrual.

Num Ciclo Menstrual saudável os níveis baixos das hormonas de estrogénio e progesterona activam o hipotálamo e a glândula pituitária, para estimular trabalho dos ovários. Quando o estrogénio se eleva, o que estimula é o folículo para nutrir o óvulo que se esta a desenvolver preparando-se para a ovulação. Quando se produz a ovulação, o folículo continua a produzir progesterona, que faz com que o endométrio cresça e se nutra para receber o ovulo fecundado. Quando isto não acontece, as hormonas descendem novamente, o endométrio se desfaz e o hipotálamo e a hipófise são novamente estimuladas para que produzam hormonas suficientes para iniciar o ciclo seguinte e assim sucessivamente.

E é este baile que as nossas hormonas bailam em cada ciclo, vão descendo e subindo para que possa ocorrer a reprodução. As nossas hormonas têm um trabalho complexo mas são flexíveis com os nossos estilos de vida modernos mas as vezes, não conseguem adaptar-se ao ritmo que lhes queremos impor e podem surgir alterações ou mesmo doenças.

Existem vários factores que podem interferir no baile das nossas hormonas e alterar assim o ritmo do nosso ciclo menstrual: O ambiente contaminado, aumento de peso, peso abaixo da média, exercício extremo, fármacos/drogas, a mudança dos ritmos circadianos da mulher.

A obesidade
A obesidade pode afectar o ciclo menstrual na conversão das hormonas suprarenais em estrogénios. O fluxo constante de estrogénios pode variar os ciclos ováricos subindo e descendo. Isto pode desencadear um sangramento irregular durante longos períodos de tempo, ou pior, um aumento de estimulação da mucosa uterina que pode transformar-se em pré-cancerosos. Peso abaixo do que é saudável para o teu corpo altera igualmente prejudicial para a saúde do teu ciclo menstrual.

Exercício extremo
Realiza exercício extremo, como por exemplo, correr muitos quilómetros ao dia ou participar em treino extremo com muita frequência, diminui os níveis hormonais, especialmente a progesterona alterando o complexo baile das hormonas e fazendo com a ovulação se torne irregular. A menstruação pode torna-se irregular ou haver amenorreia.

Fármacos
Os fármacos podem alterar o ciclo hormonal. Existem medicamentos para a tiróide, por exemplo, os esteróides podem alterar a função hormonal. A pílula contraceptiva tomada por anos consecutivos também podem altera por completo o funcionamento das hormonas do ciclo menstrual podendo causar infertilidade.

Transtornos dos ritmos Circadianos
Hoje no nosso dia-a-dia existem varias actividade e entretenimentos durante a noite, ver tv, espectáculos, jantares de amigos, discotecas…. Inclusive trabalhos nocturnos. Todos estes momentos de ócio como de trabalho alteram os nossos ritmos circadianos. Os ritmos circadianos quer na mulher quer nos homens afectam a actividade das nossas hormonas. No caso do ciclo menstrual temos que ter em conta que o ciclo menstrual segue os meses lunares. Incluído a nossa glândulas pineal, que produz a melatonina para dar pigmento esta relaciona com o ciclo da vida na noite e no dia.


Gostavas de conhecer mais o teu Ciclo Menstrual e perceber qual é o seu ritmo próprio, este é o caminho.

Durante a menstruação vou mais vezes a casa de banho e tu?

Respondendo às questões das Confreiras:
Normalmente o meu intestino é preguiçoso mas geralmente durante a menstruação trabalha mais e inclusive tenho cólicas e por vezes tenho que ir a correr para a casa de banho é normal? Porque é que acontece isso durante a menstruação? Deve-se algum desequilíbrio hormonal?
Bj Ana
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Bem vou escrever este post quando faltam poucos dias para a minha menstruação e a mim também me acontece o mesmo que a Confreira Ana que enviou a questão. Para escrever este post pesquisei um pouco mais sobre as prostaglandinas e sobre efeito que estas têm no meu corpo (e no teu) durante a menstruação.

E porque é que pesquisei sobre as prostaglandinas e não sobre outra coisa qualquer para responder a questão da Ana?
É simples, quando estou quase, quase a menstruar ou quando estou menstruada, tal e qual como a Ana, os meus intestinos trabalham de outra forma, num outro ritmo. Estou certa que a ti também te acontece… nunca te aconteceu que quando tens o período de repente tens umas cólicas e precisas de ir rapidamente a casa de banho? Não notas que durante a fase menstrual os teus intestinos trabalham mais do que é habitual? Acho que isto acontece-nos a muitas de nós! E é normal!

Tal como a Ana, tenho uma tendência para um intestino lento e durante a menstruação ele altera o seu ritmo, comecei a pesquisar e descobrir que é NORMAL, ou seja, o meu corpo (e o teu) não é nenhum bicho raro. E a razão encontra-se nas hormonas que mencionei nas primeiras linhas para ser mais rigorosa, esta alteração no ritmo intestinal esta relacionada com duas hormonas: as prostaglandinas e a progesterona.

Mas o que são as prostaglandinas e como é que estas junto com a progesterona influência o nosso intestino durante a fase menstrual?

As prostaglandinas (PGs) são lípidos formados a partir de um ácido gordo, o ácido araquidónico que se obtém da carne ou os seus percussores. A síntese da PGs realiza-se através da conhecida via COX (cicloxigenase). Actuam como hormonas e paracrinas, ou seja, exercem um efeito sobre as células que as originam e as adjacentes.
O nome prostaglandina deriva de próstata, pois quando as prostaglandinas foram isoladas pela primeira vez foi do sémen em 1935 pelo fisiologista sueco Ulf von Euler.
As PGs têm um metabolismo muito curto por isso o seu estudo tem sido difícil, por isso os dados que se conhecem sobre os seus efeitos e acções tem a sua base em experiências experimentais. 

Uma vez esclarecidas sobre o que são as prostaglandinas e que estas não só influenciam as células que as originam mas também as que estão próximas delas… podemos continuar a questionar-nos: Mas o que é que elas fazem concretamente?

Pois muito bem, as acções das PGs, como consequência da sua união a um receptor determinado, podem ser muito diferentes. Desde a inibição da agregação plaquetária, efeito vasodilatador no sistema circulatório, regulação da secreção e motilidade do aparelho intestinal e respiratório, contracção uterina, ovulação, mediador dos processos inflamatórios, febre, participar do processo imunitário, etc.

Não sei se se aperceberam mas entre os efeitos por consequência mencionei intestinos e útero, começam já a intuir a relação?
Então muito bem: - Durante o ciclo menstrual, e por diferentes influências hormonais (progesterona, estrógenos, LH…) os níveis dos diferentes tipos de PGs aumentam e/ou diminuem no decorrer das fases do ciclo favorecendo diferentes acções, entre elas destaco as seguintes:

Rompimento do folículo ovárico[i]
Luteólise, regressão do corpo lúteo[ii]

Os níveis de PGs aumentam de forma significativa durante a menstruação e têm os seguintes efeitos sobre o endométrio:

Vasoconstrição dos vasos que irrigam a capa da mucosa uterina
Extravasão do sangue ao espaço vascular formando zonas hemorrágicas
Necrose do tecido endometrial
Contracções uterinas
Ao estar implicadas com a contratilidade uterina e com o controlo da hemostasia acredita-se que são responsáveis pelas dismenorreias[iii]

As prostaglandinas são responsáveis pelas contracções uterinas e relembrando que elas não são apenas responsáveis pelas células onde se produzem mas também as que estão próximas, podemos resolver a charada, o que é que esta perto do útero?
Os intestinos. Logo estes veem-se beneficiados pela acção das prostaglandinas, ou seja, ao igual que elas contraem o útero, contraem o intestino. E as contracções intestinais , levam-nos a ter mais vontade de ir a casa de banho.

No início do post mencionei que junto com as prostaglandinas a progesterona também tem a sua cota de responsabilidade na função extra que os intestinos têm durante a menstruação, isto porque a progesterona é um pouquinho adstringente e os seus níveis se reduzem durante a menstruação, juntamos as duas coisa e temos o nosso mistério desvendado.
           
Um último apontamento o efeito intestinal extra na fase menstrual do ciclo, que as prostaglandinas e a progesterona nos proporcionam pode ser menor em quem usa contraceptivos hormonais. 

Com este mistério desvendado acho que podemos concluir que o nosso corpo é infinitamente sábio, se a fase menstrual é uma fase de limpeza e renovação nada como uma ajuda do intestino!!! :) 

 


[i] Estrutura que acolhe o óvulo no ovário
[ii] Estrutura de vestígio do corpo folicular depois da ovulação