Durante a menstruação vou mais vezes a casa de banho e tu?

Respondendo às questões das Confreiras:
Normalmente o meu intestino é preguiçoso mas geralmente durante a menstruação trabalha mais e inclusive tenho cólicas e por vezes tenho que ir a correr para a casa de banho é normal? Porque é que acontece isso durante a menstruação? Deve-se algum desequilíbrio hormonal?
Bj Ana
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Bem vou escrever este post quando faltam poucos dias para a minha menstruação e a mim também me acontece o mesmo que a Confreira Ana que enviou a questão. Para escrever este post pesquisei um pouco mais sobre as prostaglandinas e sobre efeito que estas têm no meu corpo (e no teu) durante a menstruação.

E porque é que pesquisei sobre as prostaglandinas e não sobre outra coisa qualquer para responder a questão da Ana?
É simples, quando estou quase, quase a menstruar ou quando estou menstruada, tal e qual como a Ana, os meus intestinos trabalham de outra forma, num outro ritmo. Estou certa que a ti também te acontece… nunca te aconteceu que quando tens o período de repente tens umas cólicas e precisas de ir rapidamente a casa de banho? Não notas que durante a fase menstrual os teus intestinos trabalham mais do que é habitual? Acho que isto acontece-nos a muitas de nós! E é normal!

Tal como a Ana, tenho uma tendência para um intestino lento e durante a menstruação ele altera o seu ritmo, comecei a pesquisar e descobrir que é NORMAL, ou seja, o meu corpo (e o teu) não é nenhum bicho raro. E a razão encontra-se nas hormonas que mencionei nas primeiras linhas para ser mais rigorosa, esta alteração no ritmo intestinal esta relacionada com duas hormonas: as prostaglandinas e a progesterona.

Mas o que são as prostaglandinas e como é que estas junto com a progesterona influência o nosso intestino durante a fase menstrual?

As prostaglandinas (PGs) são lípidos formados a partir de um ácido gordo, o ácido araquidónico que se obtém da carne ou os seus percussores. A síntese da PGs realiza-se através da conhecida via COX (cicloxigenase). Actuam como hormonas e paracrinas, ou seja, exercem um efeito sobre as células que as originam e as adjacentes.
O nome prostaglandina deriva de próstata, pois quando as prostaglandinas foram isoladas pela primeira vez foi do sémen em 1935 pelo fisiologista sueco Ulf von Euler.
As PGs têm um metabolismo muito curto por isso o seu estudo tem sido difícil, por isso os dados que se conhecem sobre os seus efeitos e acções tem a sua base em experiências experimentais. 

Uma vez esclarecidas sobre o que são as prostaglandinas e que estas não só influenciam as células que as originam mas também as que estão próximas delas… podemos continuar a questionar-nos: Mas o que é que elas fazem concretamente?

Pois muito bem, as acções das PGs, como consequência da sua união a um receptor determinado, podem ser muito diferentes. Desde a inibição da agregação plaquetária, efeito vasodilatador no sistema circulatório, regulação da secreção e motilidade do aparelho intestinal e respiratório, contracção uterina, ovulação, mediador dos processos inflamatórios, febre, participar do processo imunitário, etc.

Não sei se se aperceberam mas entre os efeitos por consequência mencionei intestinos e útero, começam já a intuir a relação?
Então muito bem: - Durante o ciclo menstrual, e por diferentes influências hormonais (progesterona, estrógenos, LH…) os níveis dos diferentes tipos de PGs aumentam e/ou diminuem no decorrer das fases do ciclo favorecendo diferentes acções, entre elas destaco as seguintes:

Rompimento do folículo ovárico[i]
Luteólise, regressão do corpo lúteo[ii]

Os níveis de PGs aumentam de forma significativa durante a menstruação e têm os seguintes efeitos sobre o endométrio:

Vasoconstrição dos vasos que irrigam a capa da mucosa uterina
Extravasão do sangue ao espaço vascular formando zonas hemorrágicas
Necrose do tecido endometrial
Contracções uterinas
Ao estar implicadas com a contratilidade uterina e com o controlo da hemostasia acredita-se que são responsáveis pelas dismenorreias[iii]

As prostaglandinas são responsáveis pelas contracções uterinas e relembrando que elas não são apenas responsáveis pelas células onde se produzem mas também as que estão próximas, podemos resolver a charada, o que é que esta perto do útero?
Os intestinos. Logo estes veem-se beneficiados pela acção das prostaglandinas, ou seja, ao igual que elas contraem o útero, contraem o intestino. E as contracções intestinais , levam-nos a ter mais vontade de ir a casa de banho.

No início do post mencionei que junto com as prostaglandinas a progesterona também tem a sua cota de responsabilidade na função extra que os intestinos têm durante a menstruação, isto porque a progesterona é um pouquinho adstringente e os seus níveis se reduzem durante a menstruação, juntamos as duas coisa e temos o nosso mistério desvendado.
           
Um último apontamento o efeito intestinal extra na fase menstrual do ciclo, que as prostaglandinas e a progesterona nos proporcionam pode ser menor em quem usa contraceptivos hormonais. 

Com este mistério desvendado acho que podemos concluir que o nosso corpo é infinitamente sábio, se a fase menstrual é uma fase de limpeza e renovação nada como uma ajuda do intestino!!! :) 

 


[i] Estrutura que acolhe o óvulo no ovário
[ii] Estrutura de vestígio do corpo folicular depois da ovulação

Amamentação e Ciclo Menstrual

Respondendo às questões das Confreiras:
Há já algum tempo que me tenho questionado sobre amamentação e ciclo menstrual, isto porque há praticamente 4 anos que amamento  - com uma interrupção de 6/ 7 meses entre um pequeno e o outro. Assim sendo, a minha pergunta vai neste sentido: o nosso ciclo menstrual comporta-se da mesma forma enquanto amamentamos? O nosso período fértil terá as mesmas características? 
Bem haja, M. S.
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A amamentação é o principal factor que determina a duração da amenorreia ou desaparecimento da menstruação depois do parto.


A falta de ovulação durante o período depois do parto chama-se amenorréia. Quando começamos a amamentar o/a nosso/a bebé, o nosso ciclo reprodutivo entra num período de descanso. Mais tempo de amamentação completa é igual a mais tempo sem menstruação. É totalmente normal que uma mulher que amamenta o/a seu/sua bebé a tempo completo e exclusivamente não tenha a menstruação nos 6 meses a um ano depois do parto, isto ocorre porque a acção frequente de mamar do teu/tua pequeno-a estimula a libertação de hormonas que detém, a ovulação, e por isso a menstruação. Já volto a falar destas hormonas.

Nos casos onde a mãe não amamenta o bebé, é normal que os ovários comecem o seu funcionamento um mês após o parto, mas as mulheres podem demorar dois ou três meses para ter a 1ª menstruação o que não implica necessariamente que não se estejam a ovular e que não se possa engravidar por isso é necessário tomar medidas para evitar uma gravidez não desejada.

De forma geral a primeira menstruação que ocorre, depois do parto, numa mulher lactante frequentemente se pospõe até passados seis meses. Geralmente é após os seis meses que se começam a introduzir alimentos sólidos na dieta do/da bebé, e por esse motivo deixa-se de amamentar com tanta frequência. As mães que atrasam a introdução de alimentos sólidos têm a 1ª menstruação pós-parto mais tarde. Por isso podemos encontrar mulheres que menstruam após 6 meses e outras até um ano depois do parto, por exemplo, há regiões de África, onde as mães amamentam frequentemente e os bebes dependem exclusivamente do leite materno por períodos até de 2 anos, estas mulheres podem demorar esse mesmo período de tempo para voltar a ter a menstruação. Por isso a 1ª menstruação após o parto depende de se a amamentação é prolongada, exclusiva e frequente.

Como disse nas primeiras linhas a ausência de menstruação ocorre porque quando o-a bebé suga o mamilo da mãe para se alimentar, junto com o leite produz-se uma substância chamada prolactina (PRL), que inibe o funcionamento dos ovários e a fertilidade da mulher.  

Quando amamentamos exclusivamente e com frequência, ou seja, quando o único alimento que recebe o-a nosso-a filho-a é o leite materno, este ciclo sem ovulação (conhecido como anovulatório) pode durar como referi meses, um ano ou até mais, mas o mais habitual (na Europa) são os seis meses, um ano.

Quando menciono amamentação completa ou amamentação exclusiva para determinar o tempo de duração do ciclo sem ovulação, falo de uma amamentação que depende dos horários do/da bebé uma vez que a mãe dá peito quando este/esta o necessite e o demande, o que significa que durante o dia não deve haver mais de 4h entre mamadas e durante a noite não deve superar as 6h entre mamada.

Se junto com o leite materno damos ao nosso-a bebé leite artificial ou outro tipo de alimento,  já não podemos considerar amamentação completa ou exclusiva e a introdução de outra fonte de alimento para além do leite materno inibira a produção de prolactina e o funcionamento ovárico recomeçará mesmo que estejamos a amamentar.

Ou seja alimentar exclusivamente com leite materno e com maior frequência prolonga o período de amenorreia pós-parto, logo atrasará o regresso da menstruação.

No momento em que diminui a produção de prolactina, (re)começa o funcionamento ovárico e temos a primeira menstruação depois do parto, é normal que a menstruação regresse diferente de como era antes da gravidez e que sofra alterações e reajustes enquanto as hormonas produzidas durante o tempo da amamentação se regulam até esta terminar totalmente.

Neste momento talvez na tua mente surja a seguinte pergunta: Posso utilizar o processo de amamentação como método contraceptivo uma vez que não tenho menstruação?

Esta comprovado que a amamentação completa ou quase completa diminui um 98% das possibilidade de gravidez ou fertilidade até ao aparecimento da primeira menstruação depois do parto, aproximadamente até 6 meses. Mas para a amenorreia ser considerada um método contraceptivo natural tem de cumprir certos critérios e temos de (re)aprender a descodificar a linguagem do nosso corpo.  Se queres saber mais sobre a amenorreia pós-parto e a fertilidade e como a podes utiliza-la como método contraceptivo natural clica AQUI.



CÍrculo de Mulheres Propósito | Encontro de Abril 2014



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Conhece o teu ciclo menstrual, ouve o teu corpo. Porque não?
Descobre o que esta “Por Trás da Capa Vermelha” e desfrutar da tua mulher cíclica!

“Por Trás da Capa Vermelha”
Atelier de autoconhecimento do ciclo menstrual

O Ciclo Menstrual não é apenas a menstruação. A menstruação é um das 4 fases do ciclo menstrual. O ciclo menstrual esta dividido em 4 fases que têm as suas próprias e diferentes características, e podemos dividi-las em três níveis:

Físico
Mental
Emocional

O facto de serem 4 fases, permite-nos vivenciar física, mental e emocionalmente o nosso corpo-mente desde várias perspectivas como se habitassem dentro do nosso corpo 4 mulheres distintas... 4 Capuchinhas diferentes. E é verdade! Tu não és apenas uma capuchinha, mas sim várias! No mínimo 4!

O desconhecimento das diferentes fases do ciclo menstrual tem como resultado o sentimento de alienação que muitas mulheres temos vivido durante anos. Sentimo-nos alheias, estranhas dentro do nosso próprio corpo, na nossa própria pele o que se revela através de uma baixa auto-estima, distorcida e vulnerável, assim como em sintomas físicos como o SPM e outros tipos de desconfortos que se manifestam no decorrer do Ciclo e que frequentemente são de natureza psicossomática. Isto, acontece principalmente devido ao desconhecimento do ciclo menstrual e a crença de que as mudanças hormonais não afectam o nosso corpo físico, mental e anímico.

Este atelier visa explora e investigar como muda o nosso corpo ao logo das 4 fases do ciclo menstrual a nível físico, mental e emocional e vendo como estas mudanças vão construindo as 4 Capuchinhas que Somos, ajudando-nos a integra-las.

Conteúdos do Atelier
O teu corpo, o teu ciclo – regular o teu ciclo e fluxo hormonal.
Filhas da Lua – melhorar o teu corpo e auto-imagem.
A mandala das 4 Capuchinhas – identificar as 4 mulheres que há em ti e os seus super-poderes.
Ouve o teu corpo- como viver uma menstruação mais prazerosa.
Explorar técnicas que te ajudem a cuidar da tua saúde.


Se quiseres organizar e obter + informação sobre o Atelier “Por Trás da Capa Vermelha"Atelier de autoconhecimento do ciclo menstrual escreve para jardineriahumana@gmail.com

Este atelier faz parte do Programa de Educação Menstrual e Fertilidade Consciente podes descobrir mais sobre este programa AQUI 


Também podes saber onde se vão realizar os próximos ateliers na Agenda

Síndrome cultural v. síndrome hormonal

Sangrecita de Caro Ponce de León

Descobri um artigo escrito por Katryn Clancy, professora de antropologia da Universidade de Illinois, que estuda os comportamentos reprodutivos e que explicou a revista Time, um estudo que comprova que “ SPM não depende apenas da psicologia mas também da cultura”. Existem estudos que mostram que as mulheres têm diferentes respostas a menstruação em função ao seu país de origem. Há um estudo telefónico, por exemplo, realizado em 2004 com mulheres de vários países da América Latina e da Europa, que mostra que 80% das mulheres da América Latina em idade reprodutiva apresentam sinais de SPM, uma percentagem muito maior a média europeia, que no máximo chega aos 30%.

Clancy, que defende uma clássica teoria sobre a menstruação, opina que algumas mulheres continuam usando o período para subverter as normas culturais que lhes são impostas por ser mulheres: “Atendendo a certas expectativas culturais de mau comportamento, algumas mulheres decidem aceita-las para poder comportar-se de uma forma que normalmente lhes é inacessível, sendo mandonas e irritáveis”.

Não concordo totalmente com abordagem de Clancy más acho um ponto de vista que pode levantar o debate e a reflexão, deixo-vos aqui o artigo completo: